terça-feira, 31 de março de 2020

Post.it: #Fiqueemcasa


Pela sua saúde, pela minha, pela saúde de todos.
Fique em casa porque respeita a humanidade, porque gosta dos seus vizinhos, porque ama os seus amigos e familiares.
Fique em casa também por todos aqueles que não podem ficar e têm trabalhos essenciais para manter a sua e nossa sobrevivência.
Quem amassa o pão para que que nos chegue fresco ao pequeno-almoço.
Quem transporta e vende os alimentos que nos alimentam no dia a dia.
Quem vela pela nossa segurança nas estradas e nas zonas habitacionais fazendo cumprir as regras da boa conduta que um estado de emergência a todos exige.
Quem assegura pela nossa saúde em farmácias, serviços de emergência médica e hospitais. Pessoas que não podem ficar em casa, que trabalham horas infinitas, que arriscam a sua vida para melhorar e em muitos casos salvar a nossa.
Para eles, todos eles, a nossa homenagem, que traduzida em palavras, em aplausos e canções, não basta!
A melhor forma de lhes agradecer é ficar em casa, evitando apanhar e propagar um vírus que nos quer dominar e  em última instância matar.
Fique em casa, activo e atento, aceda a todos os meios tecnológicos que disponha, agora sim é a hora certa para se viciar em telemóveis, tablets e computadores, não só para jogar e ver as novidades, mas, para da sua casa chegar e entrar na casa de quem mais gosta, partilhar beijos e abraços que mesmo virtuais, estão carregados de emoção.
Fique em casa, horas, dias, meses, o que for necessário, sem se deixar cair na solidão desse aparente isolamento. Sinta que estando em casa cumpre um dever, encare-o como uma tarefa, viva cada instante com espírito de entreajuda porque neste momento, ficar em casa é a sua e nossa grandiosa missão.



domingo, 22 de março de 2020

Post.it: Neste recanto


Num recanto do mundo, é onde me sinto estar. Há quem se sinta num recanto da vida, escondido, com medo de um encontro funesto com a doença ou com outros medos que nos podem bater à porta. Sentimos-nos frágeis, vulneráveis, impotentes, sentimos-nos sós, obrigados a uma solidão que não escolhemos.
Não temos escolha, é o que nos desespera, esta espera, esta incógnita. O que não controlamos mas que nos controla.
Mas temos escolha. Podemos agir, deixar de esperar e seguir em frente, tornar cada dia a construção de algo melhor, uma dádiva. Uma palavra, um gesto, mesmo que seja na distância de segurança. E há cada vez mais quem o faça, cada pessoa começa a partilhar o que tinha de si para dar. Os ginásios colocaram aulas na Internet para quem estiver em casa se manter saudável e activo. Quem está ligado a áreas culturais disponibilizou conteúdos para que o tempo livre seja um tempo mais enriquecido. Ideias inovadoras vão surgindo para quem se quiser manter ocupado em casa, bricolage, trabalhos manuais, novas aprendizagens.
É claro que muitos nem sequer têm tempo para terem tempo livre, estão em casa mas estão a trabalhar nos seus ofícios. Mas mesmo esses, que no início pensavam que estavam numa situação ideal, sem horários rígidos, sem a perda de tempo nas filas dos transportes, constatam aquilo de que estudos recentes já tinham demonstrado. Estas pessoas, em tele-trabalho, confrontam-se com a sua própria exigência e caiem no extremo oposto de excesso de trabalho e muitas vezes numa solidão que lhes inibe a criatividade e sociabilidade no lar. É a fase que atravessamos, não gosto de lhe chamar crise, quero olha-la ainda com um olhar de esperança, quero acreditar que em breve vamos voltar a fazer longas caminhadas sem máscara, que vamos dar e receber abraços sem receio de estar dar e a receber, nada mais do que afeto. 
Até lá é preciso tomarmos consciência do que nos rodeia mas também interiorizarmos as nossas necessidades, capacidades e limites. E sobretudo é preciso que sintamos e façamos os outros sentir que, mesmo longe nunca estivemos tão perto, que cada um na sua casa, não está sozinho. Por isso, telefone, mande emails, fale, dê beijos e abraços aos seus familiares, amigos, colegas, vizinhos, todos precisamos de todos.


sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

Post-it: Ideais


Somos humanos incompletos, sempre em mudança, em construção.  Faz parte de nós esta insatisfação que nos faz procurar, descobrir, crescer. Temos sonhos, esperanças, ou seja ideais. Olhamos para o lado e sempre essa visão, talvez por nos ser exterior, nos parece melhor do que a nossa realidade.
 Queremos  a família ideal, os amigos ideais, a escola, os professores, os vizinhos, crescemos e começamos a delinear as relações afectivas ideais, os empregos ideais, os chefes, os colegas. O cônjuge ideal, os filhos, o futuro dos filhos, dos netos e do seu crescimento.
 Os nossos ideais vão diminuindo, começamos a idealizar pouco mais que a saúde ideal, dizem que isso é sinónimos de maturidade, mas pressinto que é também de  desilusão. Quando nos confrontamos com o passar da nossa já longa caminhada e constatamos que poucos ou nenhuns foram os ideais concretizados. Conformamos-nos, mas preferimos afirmar que simplesmente percebemos que a nossa felicidade não está nesses ideais mas na valorização da realidade vivenciada, fica bonito dizer isto, torna-se difícil senti-lo. É arrancar do peito anos e anos de planos, de um caminho que fizemos nessa direcção.
 Atrevemos-nos a idealizar, somos humanos, parar de sonhar, de ter esperança, de acreditar, de ter fé em algo melhor, é morrer antes da morte nos levar consigo. Por isso mesmo que baixinho, quase em silêncio, ainda aspiramos a um futuro sem data marcada, que nos seja solarengo de esperança, que nos encha de primaveril inspiração, que nos faça voar nem que seja apenas em pensamento e que se tivermos que pousar pesadamente despertando de mais um ideal fracassado então que seja sobre uma montanha de nuvens.


quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

Do que precisas?



Dum raio de sol?
Vou buscar o mais quente para te aquecer.
Duma nuvem para repousares?
Já te trago a mais fofa para te adormecer.
Dum arco-íris cheio de cor?
Descobrirei o mais belo para colorir a tua vida.
Dum oceano para afogares as tuas lágrimas?
Transportarei o pacífico para te acalmar a dor.
De uma onda que leve para longe as mágoas?
Encontrarei a mais alta para de novo te erguer.
De uma rocha onde te apoiares?
Acharei a mais firme para confiares.
Duma sombra para te refrescares?
Vou buscar a maior palmeira para te proteger.
De uma estrela para brilhar na tua escuridão?
Escolherei a mais cintilante para te iluminar.
De um abraço leal?
Ofereço-te, simplesmente o meu…



segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

Post.it: Somos diferentes


Sempre achei que éramos iguais, acreditava no senso-comum. Que a única diferença entre nós humanos residia no género, masculino ou feminino, apesar de agora se falar de outros géneros, não vou discutir a questão. Dizia-se em tom de brincadeira citando o título de um livro que os homens eram de Marte e as mulheres de Vénus, daí as diferenças planetárias de maneiras de ser e estar na vida. Mas o tempo foi-me ensinando que as diferenças vão muito além do género, das fronteiras, da fé, da cultura, do meio social, das gerações. Que as diferenças são raízes que crescem em nós e nos separam, há quem goste de orgulhosamente preferir dizer que nos individualizam, que nos caracterizam, mas a verdade é que nos afastam, que criam mares onde não chegam pontes.
Sempre achei que éramos iguais, mesmo quando debatíamos horas infinitas a mesma questão nos seus diversos pontos de vistas,  quando tu vias o copo meio vazio e eu sempre o via meio cheio. Não éramos diferentes, partíamos de premissas distintas, seguíamos por caminhos díspares mas chegávamos sempre ao mesmo ponto de encontro. E isso, descansava-me.
Claro que me cansava a discussão, para te revelar o meu ponto de vista, para tentar perceber o teu, mas sabia que chegaríamos à mesma meta fosse qual fosse a rota seguida, o argumento mais ou menos eloquente.
Havia, diálogo e por diálogo, entenda-se eram duas pessoas a falar ainda que com argumentos diferentes, sobre um mesmo assunto. E sobretudo, quando diálogo era falar mas também saber escutar e entender o que o outro dizia.
Sempre achei que éramos iguais, mas afinal, somos todos diferentes. Talvez a única coisa que nos torna semelhantes é querermos todos o mesmo: sermos felizes. E  lutarmos por isso, mas com “armas” diferentes.
Essa diferença, de repente, “torna-nos, tão sós, cada vez mais sós, fechados no nosso mundo, longe de todos, mas com a sensação errónea de que tudo nos está perto, quase ao toque da nossa mão estendida.”
Mas, não perdi a esperança de encontrar o nosso ponto análogo, por pequeno que seja, que seja  um principio, um começo, uma descoberta, um olhar simultâneo, um sorriso partilhado, um simples, o mais pequeno, o mais ínfimo encontro no caminho que um dia, quem sabe nos seja comum.




segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

Invejo-te


Invejo-te, a ti que recebes um sentir que não sabes cuidar.
Invejo-te o sentimento que lhe despertaste no coração.
Invejo-te que sejas tu que lhe povoas os sonhos,
Que lhe iluminas o olhar, que lhe cultivas a esperança.
Que o seu abraço tenha o desenho do teu corpo.
Que os seus lábios tenham os teus beijos.
Que sejas a inspiração dos seus pensamentos.
Que sejas a razão da sua coragem.
Invejo até as lágrimas que trazem o teu nome
Porque são mágoas apenas da saudade
Que apaga quando lhe trazes a felicidade.
Invejo-te porque és tudo o que eu nunca fui
Essa fonte imediata dos mais doces sorrisos.
Invejo-te porque vais onde nunca fui,
Até à essência profunda do seu ser.
Invejo-te porque és esse mar,
E eu serei sempre e apenas
Uma pequena gota…



quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

Post.it: Pequenos sucessos ou grandes progressos


Sou uma pessoa positiva, mas de pés bem assentes no chão, por isso prefiro dizer que sou realista. Sou persistente, acredito na esperança como primeiro e último recurso. Insisto, teimo em não desistir. Se é difícil procuro torna-lo fácil, tem de haver algo bom mesmo no que é mau. Se tentar encontrar algo de positivo mesmo no meio de tantas coisas negativas já é uma pequena luz na escuridão. Defendo que nunca é tarde, que nada é tão mau quanto parece. Mas a cada passo as energias parecem esgotar-se, de imediato penso, amanhã é outro dia. Se não for este mês quem sabe no próximo. Não consegui este ano, mas vou fazer tudo para que seja no próximo. Afinal não dizem Ano Novo vida nova?
Sim com o começo do ano, é quase inevitável não desejarmos a renovação: seja dos nossos sonhos, seja das promessas que fazemos ou da esperança que continuamos a manter. E é por isso que iniciamos 2020 tal como nos outros anos tomando resoluções, quase sempre inexequíveis. Numa tentativa de nos mantermos fieis ao seu cumprimento, à frustração que sentimos quando não as conseguimos realizar. Isto acontece porque existe uma enorme diferença entre desejar a mudança e desejar-se mudar.
Outro factor importante diz respeito à tão falada e desejada força de vontade. Muitas pessoas assumem-na como uma característica da personalidade com a qual se nasce ou não. Mas há quem diga que pode ser treinada, como se fosse um músculo e quando exercitada pode tornar-se mais forte.
Todos nós somos um trabalho em progresso. E implementar mudanças nas nossas vidas não é algo que devamos fazer apenas no início do ano. Não existe melhor altura para mudar do que o presente. Mas se não conseguir alcançar grandes mudanças, há que ter em mente que pequenos sucessos conduzem a grandes progressos.



segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

Desejos para 2020


Que o Ano Novo nos traga a força necessária para corrermos atrás dos nossos objectivos.

Que o Ano Velho se torne apenas uma lembrança e o Ano Novo a concretização da nossa esperança.

Que continuemos a cultivar bons sentimentos e perseguindo os sonhos que ainda não foram alcançados.

Que sejamos felizes desde o primeiro ao último dia repetindo o mesmo no ano  seguinte.

Que neste Novo Ano os nossos sonhos sejam tão grandes quanto a vontade de os realizar.

Vamos deixar no Ano Velho tudo o que de mau nos aconteceu e levar para o Ano Novo apenas a vontade  de conquistar coisas boas.

Que façamos das próximas 365 páginas da nossa vida um livro que sempre tenhamos prazer em reler.

Jamais haverá Ano Novo se continuarmos a repetir os erros dos anos velhos.

Que o Ano Novo tenha a dose certa de:

Esperança, perseverança, ousadia e de alegria.



segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

Não adianta


Não adianta querer,
Que o sol esteja triste,
Ou na nuvem esconder,
A dor que em ti persiste.

Não adianta,
O vento vai soprar,
O sol vai brilhar,
Não fiques parada,
À mágoa agarrada.

Não adianta,
Querer esquecer,
Não adianta,
Lembrar,
Não adianta,
Sofrer,
nem chorar.

Deixa o coração,
Navegar,
Deixa a recordação,
Se apagar.

Deixa a vida,
Caminhar,
Deixa a ferida,
Sarar.


terça-feira, 10 de dezembro de 2019

Post.it: Sem asas


Quando nos tiram o chão ficamos sem poder caminhar, em redor surge como que um nevoeiro, não daqueles que nos aconchega mas o outro, aquele, quase tenebroso, que nos isola de tudo o resto. Que nos deixa numa margem distante de tudo o resto, como se já não pertencêssemos ali.
Procuramos desesperadamente o nosso lugar no  conforto  do passado esse tempo em que tudo nos era perfeito, os risos, os olhares, a vontade de realizar sonhos mesmo que acordássemos a meio deles e nunca os concretizássemos, nada nos demovia havia sempre outros para construirmos.
Era o futuro a chamar por nós, era cada amanhã, fonte inesgotável de energia onde tudo nos parecia eterno. Podíamos gastar, esbanjar sem receios, sentíamos que tudo em nós se renovava mais forte, mais rico de esperança.
 Quando foi que tudo foi que tudo isso mudou, que a fonte da juventude secou, que nos roubaram os sonhos, que nos aniquilaram as quimeras, que nos secaram as primaveras antes de florir, quando foi que as andorinhas escolheram outros rumos e deixaram de nos visitar.
 Quando é que as ondas deixaram de nos banhar e as dunas se tornaram cidades à beira mar. Quando foi que o farol se apagou, que a gaivota se silenciou.
São as fases de uma vida feita de socalcos, feita de ventos, tormentos, doces momentos, alguns lamentos. Somos nós, atando e desatando os confusos e intrincados nós de cada dia para conseguir por fim descansar nos braços da noite. Precisamos de nos encontrar, algures, onde estejamos, perdidos que estamos da criança que fomos. Precisamos de voltar a sorrir, voltar a acreditar, voltar a sonhar.  Talvez ainda não seja hoje, nem amanhã, desde que continue a haver muitos amanhãs solarengos dentro de nós, um dia as andorinhas hão-de voltar.


segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

Post.it: Pouco o bastante


A cada pouco vou agradecendo.
A cada gota de chuva que cai descendo a vidraça da janela.
A cada raio de sol que me entra de mansinho no quarto ainda adormecido da manhã.
O tic tac sonolento do relógio pendurado na parede solitária e branca.
Um que vai tentando encontrar o  compasso do meu coração, corre para o apanhar, mas é ultrapassado pelo galope de uma pradaria imaginária.
Cada vez que me levanto e caminho, os meus passos desenham estranhos destinos, gratos por cada pé que ante pé e outro que lhe sucede.
Ou quando abro os olhos e vejo o meu pequeno universo espacial cuja dimensão é irrelevante, tem o tamanho ideal de um abraço, tem a proporção ideal quase perfeita de um aconchego.
De repente tudo ganha um novo sentido, o que era pouco parece-me tanto, ou pelo menos, o bastante para existir e ser suficientemente feliz.

terça-feira, 26 de novembro de 2019

Post.it: Volta


Volta, sim volta, espero-te há mil anos de esperança. Preciso de te reencontrar, de rever o teu sorriso desenhando no rosto consternado do tempo a pessoa que conhecia.
Preciso de voltar a escutar as palavras amáveis que sempre tinhas para oferecer. As ideias que te floriam o olhar. Volta, ainda recordo os teus passos dançantes, parecias ensaiar um bailado com músicas que só tu ouvias, mas imagino pela leveza dos gestos, pela coreografia das formas, que eram belas. Mas inaudíveis para quem não tem a virtude de viver os sonhos de olhos abertos, de os encontrar em cada recanto escuro porque transporta consigo uma luz que lhe é própria.
Volta, porque o ar precisa de ser respirado por tal volúpia, para se deleitar na quase embriaguez dos sentidos quando todos eles confluem no mesmo caminho doce e terno  da felicidade.
Porque sim, era feliz, e sabia-o e sentia-o e viva-o dessa maneira. E agarrava-me a ela, antes que a felicidade fosse uma ave de asas abertas em busca do vento para voar. E voou... Se ao menos fosse uma  andorinha…
 Dizem que parte mas regressa sempre. Talvez, haja uma espera que não seja infinita, talvez exista um horizonte que conheça o caminho de retorno. Continuo a pedir volta, volta vida. Tal como eras, com te vivia, volta…



segunda-feira, 18 de novembro de 2019

Post.It: O medo

Hesito, temo dar aquele passo, porquê? Porque há uma consequência, já não se pode voltar para trás,  mudar o caminho. É um corte, uma decisão, um acto que pode mudar tudo, que pode ser um final ou um começo. Pode ser para melhor, se assim fosse, não temeria, iria a correr, ganharia asas, voaria. Mas pode ser para pior, então quero recuar, quero fugir, refugiar-me um abraço, dizer não! Primeiro num sussurro, depois a plenos pulmões.
Mas que sei eu. Temo,  tremo, calo, avanço para o cadafalso desta vida cheia de horizontes desconhecidos, de pequenas mortes, porque sim, morremos por dentro cada vez que decidimos isto e não aquilo.
Há um buraco no estômago, um suor frio que nos desce do rosto, as palavras que querem sair mas sucumbem antes mesmo de nascer. Sento-me no canto mas distante como se me quisesse esconder, talvez se esqueçam de mim e decidam por mim e depois não ponham as culpas se der errado, chamem-me cobarde, aceito as minhas fragilidades, tenho mais dificuldades em aceitar os meus medos. 
Mas às vezes é preciso coragem para sentir medo, quando o medo é apenas uma forma aprendermos a pensar e repensar sem agir de forma irresponsável para mais tarde nos arrependermos. O medo pode limitar-nos, pode conter-nos, pode magoar-nos. O medo pode doer-nos sem causar ferida. Pode ser um abraço aconchegante ou um enleio que nos sufoca depende de nós como o olhamos, como o recebemos, como o ouvimos. Se tivermos medo, convém hesitar, mas nunca devemos deixar de caminhar, mesmo que tenhamos medo de o fazer. “Coragem não é não ter medo, mas de agir apesar de o ter.”


terça-feira, 12 de novembro de 2019

Post.it: Gotas de esperança

Chove no seu olhar, uma ausência e muitas despedidas. É como chuva de Verão, não por ser refrescante mas por chegar fora de época. Quando acreditamos que tudo vai correr bem, que podemos entregar a alma ao merecido repouso, depois de um Inverno rigoroso, do frio, dos vendavais, do calor que se construía, com ramos secos duma árvore a que arrancámos a imponência, a solidez. 
Chove no seu olhar que me habituei a ver reluzente, como um sol que brilha mesmo que o céu desabe sobre a terra, criando rios, arrastando sonhos desenhados na areia da praia. Um sorriso embaraçado aflora nos seus lábios que sempre conheci cheios de beijos, para o amor, para os amigos, para os filhos e para tantos outros a quem não negava esse gesto de espontânea ternura.

Pergunto-me: quem, quando, como, alguém pôde ser a causa desse desespero, dessa mágoa. Esse olhar, sempre tão solidário, tão amigo. Esse olhar que não se deve magoar nem com uma pena de gaivota.
Numa voz magoada que lhe desconheço, ouço um murmurar que tenta ter firmeza, que tenta ser de ânimo: 
- Não ligues para as minhas lágrimas, são gotas de esperança.

segunda-feira, 28 de outubro de 2019

Post.it: Perco-me

Tudo o que sou é nada, que tu transformas em algo de bom. E eu sendo tu, sou tão maior, sou tão melhor. Completa no existir, inteira no ser.
Tudo o que era: caminho que se derramava. Que se estreitava, que se perdia. Deserto por onde caminhava em busca dum oásis, mas sem esperança sequer de o vislumbrar.
 Tudo o que fui em esquecimento se transformou. Para quê ler as folhas escritas por outro batimento, um compasso que não tinha eco.
Tudo o que serei agora é contínua descoberta,  feita de dias, de luminosidades, de tonalidades, de sons partilhados, vividos em consonância perfeita com os hemisférios.
 Tudo o que sou,  esse nada, que renasceu da espuma do mar, cresceu em onda, foi maré, quem sabe um dia mar, oceano onde possa desenhar abraços por toda a  amplitude terrestre.
Tudo o que sou é sombra diluída dos dias que contigo hei-de construir. 
Mas tudo isto é o sonho, uma voz quase inaudível de esperança, resquício de um luar que a manhã resgatou ao primeiro raio de sol, tudo é bom quando vem a seu tempo e nos permite vive-lo na sua plenitude. Quando uma lágrima não nos vem roubar o sorriso, quando uma dor não nos vem roubar o ânimo, quando tu, cujo nome pronuncio com receio de o profanar de egoístas desejos, chegas e te sentas a meu lado. Escuso-me de te pedir que fiques, que me ouças, que me entendas, quando sou eu, unicamente eu,  que me perco demasiadas vezes dos teus passos.


segunda-feira, 21 de outubro de 2019

Post.it: As mudanças

Quando fazemos mudanças de casa há sempre muito por arrumar, por deitar fora. Coisas que escolhemos  levar, coisas  que  excluímos, afinal,  sem  nos  darmos conta, ao  longo dos anos fomos  acumulando  tralha  que agora não  nos  serve  para  nada,  outras já tiveram o seu uso avariaram  mas  por  uma  questão  de valor  emocional  guardamos, quem sabe um dia ainda terá arranjo.
É o bom das mudanças, esta arrumação, esta selecção, sobretudo quando é feita por nós, com tempo, com consciência, com vontade de lhes dizer adeus, com vontade de recomeçar.
Mas há mudanças que nos impõem, que não queremos, que nos são dolorosas porque nos impedem de despedir de um tempo passado e nos obrigam a encarar sem preparação um tempo futuro. Mudanças onde não nos deixam levar as coisas que nos aconchegam, objectos que nos trazem gratas memórias, um pouco da nossa história aqui para ter continuidade ali.
Não sabemos bem o que sentir, reclamar, agarrar e defender o nosso (urso de pelúcia)? Não!. Somos pessoas crescidas aprendemos a conter as nossas mágoas, a transformá-las em aprendizagem e a vida ensina-nos que podemos levar todas a nossas coisas, que ninguém nos pode impedir de as levarmos connosco se as guardarmos bem aconchegadinhas num lugar bem seguro, o coração.
Aí, cabem todos os objectos que gostamos, todas as plantas que cuidamos, todos os livros, quadros, fotos, tudo, mas mesmo tudo. Mesmo que sejam velhos, que estejam estragados, mesmo que não estejam de acordo com a decoração do novo espaço. O coração não escolhe modas, idades, raças, credos, estatutos, simplesmente não escolhe, ele só sabe generosamente e humildemente, amar.





terça-feira, 15 de outubro de 2019

Post.it: Efémeras viagens

Por vezes somos como navios a navegar pelos mares da vida. Lutando contra os vendavais, rasgando as velas, partindo a quilha, perdendo o leme. Seguimos um rumo sem rumo como se fossemos despojos da cada uma das nossas batalhas. Ofuscam-nos, seduzem-nos aqueles barcos, de proa erguida. Vaidosos iates, imponentes veleiros. Parecem tão sólidos na sua majestosa fortaleza, na sua imagem de grandeza.
Mas também o era o Titanic e afundou-se. Dizem os sussurros da cobiça que se afogou na sua presunção, sucumbiu na sua ostentação.
Ergo os remos, sem fazer juízos, afinal, todos navegamos nas mesmas águas. Que nos embalam ou que nos afundam. Revelando a vulnerabilidade do nosso existir.
Que importa a dimensão, se é navio, bote ou apenas uma periclitante jangada, se todos os corações são de tamanho igual? Resta saber se guardam a fiabilidade de um mesmo sentir.
Que importa a imagem de magnificência, o fausto que nos pode inebriar, se lá dentro for minúscula a capacidade de se dar aos outros em generosidade e tolerância.
Deixemos-nos de sonhos, estendamos redes de amizade por esse vasto oceano para lhe pacificar as águas e curar as mágoas. 
Deixemos-nos de arrogâncias e snobismos que não tornam o caminho mais fácil de ser navegado. Por vezes é preciso parar, lançar âncora num cais que há tanto nos espera depois de nos ter visto partir para as nossas sempre efémeras viagens.


segunda-feira, 7 de outubro de 2019

Post.it: Viemos

Todos passámos pelos lugares, pelos olhares, pelos rios, mares, por montanhas e planícies. Nem todos ficámos neles o tempo suficiente para ali deixarmos raízes, nem todos criámos recordações, marcas do que fomos, do que fizemos, da nossa missão. 
Pegadas de areia na fina da praia que o mar levou para os oceanos como forma de nos homenagear ou simplesmente para apaga e dessa forma, esquecer a incerteza desse caminhar.
Viemos para plantar árvores e não para as derrubar.
Viemos para regar as flores e não para as arrancar do jardim.
Viemos para espalhar amor e não para causar dor.
Viemos para apreciar as marés e não para lhes lançar detritos.
Viemos para  arar os campos e não para derramar sangue neles.
Viemos para navegar nos rios e não para lhes estreitar as margens.
Viemos para apreciar o céu e não para lançar-lhes gases tóxicos.
Viemos para respirar o ar e não para o sufocar.
Viemos para criar vida e não para a matar.
Todos os que aqui estamos, passamos, mas que nesse passar
 deixemos algo de bom para a humanidade recordar e o futuro herdar…



terça-feira, 1 de outubro de 2019

Post.it: A cor do tempo que passa

O tempo tem cor, a cor do nosso sentir. Tem tons claros quando é um tempo feliz, tem tons escuros quando o sentimos pesarosamente infeliz. Mas e o tempo, aquele que nos foge? Aquele que parte de nós com asas de vento e quase só nos deixa um aroma de saudade? Que cor tem o tempo que foge? 
Imagino-o cor-de-rosa, um colorido cada vez mais fantasiado porque a memória o vai esquecendo nos factos concretos mas enriquecendo na composição dos detalhes. E nesse tempo que nos foge passa a haver todas as cores num arco-íris onde cada história da nossa vida mesmo até aquelas mais tristes ganham contornos de sorrisos que substituem as lágrimas, ganham laivos de ternura apagando de vez todo e qualquer resquício de mágoa. 
Porque o tempo, afinal não foge, apenas segue nas suas curvas e regressa para nós mais bonito do que quando partiu, aprendeu a valorizar cada momento, a apreciar cada instante, a enaltecer o que há de bom e a esquecer o resto. Assim em vez de nos entristecermos pelo tempo que foge devemos aprender celebrar cada tempo que chega oferecendo-nos toda uma renovada palete de cores primaveris mesmo que seja outono ou inverno.


segunda-feira, 23 de setembro de 2019

Post.it: Da Lapa para o Bairro Alto

Os nossos caminhos são linhas que nos fazem subir, descer, virar à esquerda ou à direita, queremos, mas não somos, senhores do nosso destino. E o meu destino encaminhou-me para novos caminhos. Deixei os lugares amplos e serenos da Lapa e mergulhei, a medo confesso, porque sempre as multidões me causaram algum receio, no Bairro Alto. O primeiro dia foi um baptizado de gente que subia e descia a rua, que vinha de todas as direções para outras tantas, com passos apressados, olhares esfomeados, queriam ver tudo, ouvir, fotografar, fotografar-se, e eu, pobre peão errante, desviava-me de um lado para o outro sentindo-me sempre inoportuna em qualquer sitio onde estivesse, em boa verdade, só queria uma sombra para me abrigar do sol e um banco onde descansar os passos. Claro que estava tudo ocupado, invadido de sons que me chegavam aos ouvidos misturados e sem nexo. Tentei acelerar o passo, fugir dali, encontrar um espaço mais amplo, mais verde e sossegado. Só pensava, “Lapa, minha Lapa, que saudades do Tejo que te banha…”
Quando uma voz me fez levantar o olhar da estreita calçada, “Aqui nós é que tenemos prioridad”. Apeteceu-me sorrir, alguém queria pôr ordem naquele caos  e estabelecer quem devia ir por fora ou por dentro do passeio. De repente percebi que independentemente do lugar onde se está, das pessoas que estão à nossa volta, somos nós tal como estamos e somos que marcamos a diferença, não nos outros, mas na forma como olhamos e sentimos o que nos rodeia. Aqui é preciso estabelecer a “prioridad”, e essa prioridade somos nós enquanto pessoas, pela forma como tocamos e nos deixamos tocar, com um olhar, com uma palavra, com um silêncio… 
Não vale a pena olhar para trás, a Lapa continua lá, no seu sossego, mas o meu lugar agora é aqui neste desassossego onde vou ter de encontrar, nem que seja unicamente em mim, um recanto de paz.

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Post.it: O poente dos dias

Gosto das manhãs quando ainda tudo é novo, ainda tudo cheira a começo, a único, quando os sons ainda são de ténues silêncios, quando o tempo ainda não se mede em horas mas em vagas de azul. E mesmo no mês mais quente, no dia mais escaldante, a manhã tem sempre gotas de água humedecendo os extensos prados onde dentro em breve os rebanhos vão pastar. Apetece caminhar descalça e refrescar os pés naquela contrastante humidade, apetece abraçar cada árvore e retirar desse abraço a ternura de natureza tão generosa de cores e de perfumes.
Depois há uma parte do dia em que tudo parece parar, convida-nos a embalar os sentidos, a procurar refúgios para que os sonhos possam abrir as asas e voar. Nem os pássaros se atrevem a sair do ninho, nem os coelhos da toca, está calor, demasiado calor nas terras alentejanas, nem viva alma se vê, nem um silvo se ouve.
Quando a orla da tarde desenha uma sombra na alvura da paredes caiadas. O corpo oferece à dolência um instante de abandono. Porque o caminho de tão quente faz transpirar o alcatrão. Respira-se devagar, um ar que abafa os pulmões. Só os olhos ainda se agitam, ávidos de paisagem, como quem quer beber toda a beleza daquele extenso oásis.
Por fim a  noite já se avizinha, vem sem pressa de chegar, não quis ser trazida pelo vento, preferiu a leve brisa que desliza no tempo  devagar, para apreciar a viagem. Para chegar, naquela hora “dos mágicos cansaços” quando o sol já desfalece em admiração na orla do horizonte, quando quase esmorecendo encontra um último fôlego para deixar na linha do espaço um leve beijo com que recebe a serenidade da noite enquanto o dia já parte no ocaso da vida.


segunda-feira, 2 de setembro de 2019

Post.it: Cedo demais para saudosismos

Não te prendas de tal forma ao passado que te impeça de voar
Não dês asas ao futuro de tal forma que não consigas ter os pés assentes na terra.
É preciso acreditar que a semente que deitamos hoje na terra germina e será uma árvore sólida num amanhã.
É preciso acreditar que mesmo que existam dificuldades, haverá dias mais fáceis em que o sol nos revelará o seu sorriso.
Precisamos acreditar, precisamos ter esperança, precisamos de encontrar seja onde for a força anímica dos nossos passos.
Sei disso, sei-o cada vez mais, quando os problemas me toldam o raciocínio e me roubam as energias necessárias a cada gesto, a cada função do meu dia a dia. Sei-o, quando  a saúde escasseia, quando quase me derrota.
Agarro-me ao passado, como eu era, a alegria, a juventude, a dança primaveril que desconhecia as agruras de cada estação. Estendo os braços para o futuro, esse laço fugidio que qual criança irreverente parece teimar em não se deixar aprisionar.
Ainda é cedo para saudosismos, dizem-me.
Já é tarde para grandes devaneios. 
Mas a verdade é que nunca é cedo para o que é tarde nem tarde para o que é cedo, temos que ser como somos, deixar-nos ir por essa maré em que somos marinheiros de primeira viagem. Aportarmos nos cais do nosso querer, e  por lá fixamos as ancoras de uma felicidade que quem sabe, se a corrente nos for de feição, haverá dias em que nos navegue.


segunda-feira, 29 de julho de 2019

Quantos...

Quantas madrugadas existem numa vida.
Quantas vezes o sol nos ilumina o rosto.
Quantas horas marcam o nosso caminho.
Quantos caminhos fazem o nosso destino.
Quantos sonhos sonhados de olhos abertos.
Quantos amores plantados em corações 
desertos.
Quantas flores a primavera nos
oferece.
Quantas vezes o luar nos embala e
adormece.
Quantas alegrias superam as  tristezas.
Quantas janelas são abertas, e portas fechadas.
Quantas são as quedas de que nos levantámos.
Quantas palavras de esperança nos são dadas.
Quantas vidas vimos nascer, crescer, morrer.
Quantos passos desenham a nossa estrada.
Quantas ondas já contámos no mar.
Quantas estrelas perdemos olhando o céu.

Neste infinito de  muitos quantos
que na vida sempre  conheceremos.
Que poucos sejam os lamentos,
E muitos sejam os encantos...

segunda-feira, 22 de julho de 2019

Post.it: Estranha pessoa

Estranha pessoa eu, neste diálogo interior. Estranha pessoa, porque estou aqui e não me sinto aqui enquanto eu. 

Poderia ser outra pessoa, deveria, queria, desejaria, precisava… 
Não por um mero capricho como quem quer ter aquele brinquedo, ter o corpo elegante daquele modelo ou ainda ter a vida milionária daquela pessoa.
 Mas como quem vive num corpo que não é o seu, que não se encaixa, que não se sente bem nessa pele, que se olha e não se sente a pessoa que vê. 
Esse sorriso que lhe sorri é-lhe estranho, essa mão que lhe toca não lhe parece sua. E, depois a minha história, a minha memória, poderia ser outra, tantas outras, diferentes, belas, brilhantes, cheias de altruísmo, de aventura.
Estranha pessoa, eu, alma no meu corpo, tento assim explicar este desconforto, sem sequer saber se tenho alma, ainda nenhum cientista provou a sua existência e onde ela se aloja, dizem os poetas que nos entra na primeira inspiração quando nascemos e sai de nós no último suspiro quando morremos. 
Estranha pessoas, eu, em que há dias assim em que precisamos aprender a amar-nos, a aceitar-nos, porque tudo nos parece estranho, crescemos de repente, envelhecemos rápido demais, não ouve tempo para sentir a mudança. E um dia damos por nós a perguntar para onde fomos que não mais nos encontrámos.

sexta-feira, 12 de julho de 2019

Post.it: Linhas tortas

Os nossos caminhos parecem linhas, umas sobem, outras descem, retas ou cheias de curvas. Há momentos em que mais nos parecem um emaranhado de fios, e nós, como marionetas precisamos que esses fios nos digam que movimento fazer a seguir, que passo dar depois do passo dado. Ansiamos por liberdade, mas sentimos-nos incapazes de cortar as linhas que nos conduzem pela vida a fora, conduzir nós próprios o nosso destino parece fácil, mas revela-se difícil.
Há linhas que são tramadas desabafam uns. Há linhas que nos tramam, constatam outros. São as linhas tortas desta vida, declaram outros ainda, aceitando os seus desígnios.
E nós, tal como crianças lá vamos palmilhando a vida,  pé ante pé, passo a passo, tentando endireitar as linhas tortas do nosso destino. Quem sabe um dia descubramos a fórmula mágica de desenlear essas linhas, de as endireitar. Será preciso uma grande capacidade de paciência, uma pitada de perseverança, muita atenção e sobretudo uma grande dose de sorte, essa sorte que torna tudo mais fácil, que desmancha os nós de cada dia, que endireita o mais torto fado a que cada um está fadado. 
Também é verdade que muitas vezes testamos os limites, que enviesamos as  linhas para prolongar o prazer da viagem, porque se é verdade que a reta é a distância mais curta entre dois pontos, porque não ir em diagonal e entortar o momento só para quebrar a monotonia, tudo o que é certinho cansa, um pouco de desarrumação até dá estilo. Já agora, why not?


segunda-feira, 8 de julho de 2019

Sentimento exacto

É preciso dar o devido
valor ao núcleo do problema.
Para que este  seja resolvido
sem ficar marcas de dilema.
Não há ciência exacta
para os intuitos do coração.
Porque só a voz da Razão
é que põe fim e  desata
o complicado nó da questão.
Quando um e um não dá dois.
Alguém que tome uma decisão.
Sem a deixar para depois.
Mas quando se fala de amor,
O sofrimento que nos espera.
É como se o arrancar duma flor,
Matasse toda cor da primavera.