Na ilha dos seres brilhantes, o conselho de decisores acabara de ser informado do desenrolar dos últimos acontecimentos e da situação da princesa e dos jovens magos cuja missão era libertá-la. O elo de luz que unia todos os presentes agitou-se em pequenas ondas e o seu zunido tornou-se mais forte e grave. O jovem Ansiex e alguns dos seus apoiantes oscilavam na sua levitação. Entre eles tinha-se desenvolvido a convicção de que deveriam lançar uma ofensiva contra o reino das fadas, para impor respeito e dissuadir qualquer intenção de invasão por parte delas.
Ornix viu a agitação e compreendeu o seu significado. Com alguma tristeza, dirigiu-se ao conselho:
“Amigos, creio que estas novidades evidenciam a nossa convicção de que não existe intenção beligerante por parte do reino vizinho.”
“Conselheiro Ornix, perdoe mas tenho de interrompê-lo. Como seu sobrinho conheço bem a grande bondade do seu coração e a sua infinita sabedoria, que muito aprecio. Porém, creio que estais a ser demasiado optimista e isso pode comprometer a nossa segurança.”
A desaprovação desta atitude foi quase geral. A maioria dos conselheiros demonstrou o seu desagrado por esta indelicadeza e sobretudo por aquilo que ela significava – existia, entre eles, uma tentativa de quebrar a unidade que punha em causa a decisão antiga de nunca recorrer à violência e de não utilizar os profundos avanços científicos e tecnológicos para atacar, mas apenas para melhorar a vida da população e, se necessário, em defesa do reino e apenas como último recurso.
O brilho em torno de Ornix tornou-se mais intenso e a sua voz fez-se ouvir em tom grave e profundo:
“Ansiex, a tua intervenção causa-me uma enorme tristeza. Não por estares em desacordo comigo mas por temer que todo o empenho e amor que coloquei na tua educação não tenham encontrado eco no teu coração. Tremo só de pensar que poderás estar a aproveitar esta situação para te afirmares como líder de alguns conselheiros que, pela sua juventude, não se recordam da época em que púnhamos o orgulho e o medo à frente da sensatez e da paz. Essa fase da nossa história foi ultrapassada e valeu a pena. Este pequeno incidente não pode levar-nos a abandonar as nossas esperanças de vivermos em paz e de continuarmos a progredir nesse caminho.”
“Meu tio, sabe que sempre o respeitei. Perdoe-me se não concordo consigo. Mas, como membro deste conselho, tenho o direito de expressar a minha opinião e disponho-me a que seja votada contra a sua”
Foi interrompido por um burburinho agitado de onde surgiu a voz clara e firme do conselheiro Amix:
“Jovem Ansiex, tem todo o direito a expressar a sua opinião, mas com o respeito devido a seu tio e a este conselho. Como sabe, a votação é uma forma primitiva de decidir. Foi uma fase necessária até termos aprendido a ouvir-nos com respeito mútuo e de mente aberta e coração puro, na procura da verdade, sem vaidades pessoais ou interesses faccionais a impedir a construção de uma resolução sábia.”
O brilho dos membros do conselho e o anel de luz tornaram-se suaves e o zunido foi-se transformando em melodia apenas perturbada pelo incómodo de Ansiex que, a julgar pela harmonia da sala, concluiu que acabara de perder os seus apoiantes, tocados pelas palavras de Amix.
Ornix tomou novamente a palavra e propôs:
“Creio ser chegado o momento de concretizar um desejo que tem vindo a clarificar-se entre nós: encetar relações diplomáticas com o reino mágico das fadas e quebrar de vez esta era de receio e desconfiança. Pelas informações que temos, também elas evoluíram e pretendem viver em paz e mantê-la.”
Todos se elevaram um pouco e o anel de luz tornou-se mais brilhante. Apenas Ansiex se manteve na mesma posição, mostrando assim que não concordava.
Vários conselheiros pediram a palavra e cada um foi apresentando argumentos e sugestões que pareceram convencer Ansiex. Este acabou por apoiar a sugestão de seu tio, alcançando-se deste modo uma decisão consensual de todo o conselho.
Por fim, o conselho de decisores resolveu enviar um grupo de robotixis ao reino mágico das fadas para entregar uma proposta de concretização de um encontro diplomático entre o conselheiro mor e dois dos seus mais directos assessores e a rainha das fadas e duas das suas conselheiras. Propunham que esse encontro se realizasse o mais brevemente possível, na praia, entre as águas do lago das mil cores e a barreira de espinheiros e onde, como gesto de boa vontade da parte dos seres brilhantes, seriam libertados a princesa e o jovens magos.
Ao mesmo tempo, no reino das fadas, a corte tinha tomado idêntica decisão. Dois magos alados voluntários estavam já a preparar-se para entregar no reino dos seres brilhantes uma mensagem da rainha Amada, que começava por pedir compreensão e desculpa pela atitude de sua filha, tomada sem sua autorização e contra a lei geral do reino que proibia de passar a barreira de espinheiros. De seguida, propunha encetar relações diplomáticas para resolver o incidente, em paz e com a promessa de que tal não voltaria a acontecer.
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Continua
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No reino mágico das fadas (12)
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