quinta-feira, 15 de maio de 2014

Por momentos...

Que dizer da minha noite? Nada, não me lembro de nada, nem de sonhos, nem de despertares. 
Dormi, penso que sonhei, que por momentos realizei desejos, conquistei ambições, fui o que não sou, o que nunca serei. 
Acreditei e ao acreditar fui feliz. Porque a felicidade, a verdadeira felicidade é acreditar, em nós, nos outros, na mudança das estações do ano, nas árvores que resistem a tudo até a nós, nos rios que por mais que lhes alteremos o percurso encontram sempre o caminho, o seu. Enquanto a humanidade continua na sua efémera eternidade em busca de um que lhe pertença.
Mas aqui, nesta noite, encontrei-o, penso que sim, porque acordei com aquela tranquilidade de quem teve a recompensa de um dia sôfrego de paz.
Acordei, espreguicei o olhar e apeteceu-me sorrir, abraçar o sol, moldar nas nuvens  palavras de alegria e depois caminhar sem destino ou sem saber, com um destino certo, aquele que me leva à noite, ao sonho, à felicidade de ser quem não sou, quem sabe, nunca serei, sem que isso me incomode, porque no fundo, bem lá no fundo sei que na realidade sou o meu sonho concretizado de uma forma ou de outra, esta jovialidade o que me dança no peito e que me faz ser o rio que encontra sempre o seu caminho através das curvas e arestas de cada margem da vida.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Ele bate

Podem deixá-lo esquecido,
Mas ele bate, bate ferido.
Podem acusá-lo de frieza,
Mas ele bate, bate de tristeza.

Podem chamar-lhe pedra da calçada,
Mas bate, bate de alma magoada.
Podem condená-lo, por o achar frio,
Mas ele bate, bate por não estar vazio.

Podem apagá-lo da lembrança,
Mas ele bate, bate de esperança.
Podem passar sem que o vejam,
Mas ele bate, bate para que o sintam.

Podem pisá-lo até à dor,
Mas ele bate, bate de amor.
Podem julgá-lo duramente,
Mas ele bate, bate porque é gente.

terça-feira, 6 de maio de 2014

Post.it: Final feliz

Quando tudo fica bem, o ideal acontece, o sonho realiza-se, o coração reconforta-se e a esperança renasce. 
Quem sabe, um dia, o impossível se torne igualmente possível para si, que não aconteça só nos filmes, nos livros, na vida dos outros. Quem sabe também nós tenhamos um dia o nosso Final Feliz.
Esta nossa ideia romântica da vida, este nosso desejo de felicidade, esta nossa ambição de atingir a perfeição das coisas leva-nos a ver, a sentir, este Final Feliz como algo de extraordinário. 
Mas vejamos o contrassenso que a expressão encerra, a oposição dos termos, como pode ser um Final Feliz, se está condenado a ser um final. 
Um final nunca é bom, porque nos reduz ao seu finito, porque nos deixa sem horizonte longínquo, porque nos rouba os sonhos futuros, porque nos impede de voar, porque nos tira a possibilidade de ir mais além, de conquistar novas oportunidades.
E no entanto, quantos de nós não trocaríamos tudo isto por esse Final Feliz, dure o tempo que durar, uma vida inteira, uma década, um ano, ou apenas e simplesmente uns breves meses. 
Acredito que aceitaríamos a proposta do destino, nem que fosse só pelo vislumbre dessa pequena mas imensa possibilidade…

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Post.it: Morada de vida

Nova semana, nova vida? E porque não? Por vezes, as mudanças acontecem, sobretudo quando não as esperamos. E, se forem boas, são sempre bem vindas. Mas o melhor é encarar o dia com a preguiça saborosa de sempre, abrir um olho e depois o outro, espreitar o dia, escutar o silêncio. Este pequeno instante, antes de as portas começarem a abrir e a bater com maior ou menor violência, o motor dos carros, os passos apressados, as birras de sono das crianças. Só o Micas, o cão da minha vizinha, salta e rodopia, feliz por estar vivo, por ir passear, cheirar as flores, cumprimentar o sol.
Enquanto nós continuamos a despertar cada parte do nosso corpo, depois dos olhos, os braços e as pernas, os pés que se fincam no chão e esperam a ordem de um cérebro dormente, que lhes diga para onde seguir. E lá vão sem saltos nem rodopios. Como invejo o Micas e a sua alegria. Respiro fundo, encho o peito de ar e espero que ao conjunto químico seja acrescentado um pouco de esperança. Esperança de que hoje, nem que seja só por hoje, as pessoas vão cumprimentar-se com um sorriso, sem atropelos na corrida de chegar o mais depressa possível ao final do dia, ao regresso. Porque a alegria de partir, de abandonar o leito que nos abraça é a promessa de um regresso.
E quando me questiono sobre o que fazemos aqui, não tenho resposta, não daquelas eruditas, metafísicas. Sinto apenas que estamos aqui para voltar ao nosso lugar. Um lugar que é nosso, que nos recebe, que nos aconchega, que nos protege, que se molda a nós, que reflete os nossos gostos, um pouco do que somos e o muito do que desejaríamos ser, talvez mais organizados, mais amplos de luz e espaço. E quando aquela porta se abre, quando o cheiro de morada nos invade a alma, entramos sem pressa, só para sentir a suavidade de cada passo, a certeza de que estamos aqui, talvez sem grande missão, quem sabe não por muito tempo, talvez sem uma grande meta, mas para regressar ao útero de vida a que chamamos lar e outras espécies, ninho, gruta, porto seguro...
Não se mede em metros quadrados, nem pelos objetos de decoração, mas pela vida que pulsa nela, a nossa. Sem a nossa morada não passamos de nómadas, perdidos de nós em busca de um luar que não nos gele e de um sol que não nos queime a réstia de esperança e de dignidade humana.
Por tudo isto, despertamos, abrimos um olho e depois o outro, colocamos os pés no chão e caminhamos para aquele abraço humanizado com o nosso calor e cada passo que damos é na direção do mais feliz regresso.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Post.it. Pátria

“A minha pátria é a língua portuguesa”
(F. Pessoa)

A minha língua é uma história feita de caminhos nómadas, na estrada escavada pela erosão dos ventos, delineada nas escarpas rochosas pela chuvas intemporais, no romper dos mares pela terra adentro, e pelo embalo das ninfas vozes oceânicas. Esta língua que adquiriu matizes de humanidade, laivos solares da sua cultura ocidental e pigmentos terminológicos de longínquos povos. 
Esta pátria linguística desde há muito mesclada de tantas tonalidades e expressões, corre-nos nas veias em células de povos fenícios, gregos, celtas, bárbaros, de impérios erguidos de conhecimento e desmoronados de ambição. 
Porque a língua é uma arma poderosa: serve para declarar a guerra mas também para exprimir sonhos de paz e de amor. Tem genes de reconciliação, é uma ponte que une as margens separadas, cria encontros, estabelece laços, num diálogo de aproximação mas também, quantas vezes, de  separação.
Uma língua que nos conquista, com a doçura da sua fonética, com este sentimento de saudade de quem fomos e de quem somos, um sentir que se agarra à nossa pele, povoa o nosso sangue, faz parte intrínseca de nós. Por isso é custosa a mudança que se queira fazer à língua que bebemos com o leite materno, é como mudar o corpo, tatuá-lo de vivências que não são as nossas. Arrancar letras ou acentos das palavras que nos habituamos a desenhar com a ternura de uma mão incerta, que vai adquirindo o jeito e começa a abrir as asas e a voar para além dos limites do papel. 
É certo que as línguas são organismos vivos, nascem, crescem modelam-se, modelam-nos, perduram, continuam a espraiar-se longamente para além de nós. Tornam-se infinitas, imortalizam-nos nessa herança que recebemos e que passamos como testemunho de vida, de luta, de glória. 
Mátria língua, semente de esperança, entranhada neste peito luso, que  se ergueu majestosa de alento e uniu num só ideal todo o nosso Portugal. Em homenagem ao passado, que quis no seu presente conquistar a Liberdade do futuro. Usando apenas como armas: a Coragem, o Coração e os Cravos. 

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Post.it: Amar é um dom

     Amar é um dom, um dom que nos nasce, um dom que nos faz crescer inteiros, preenchidos de vida, de encontros, de gestos, de boas vontades, afagos e afectos.
Reconhecer o que nos é dado como testemunho de caminho é a extensão do que somos, de onde viemos, para onde vamos, afinal todos somos uma obra inacabada dos outros, “a nossa história começou antes de nós e persistirá depois”. Mas também nos que estão presentes ausentando-se por vezes sem contudo partirem.
Amar é um dom que nos confirma humanos, de braços que se estendem para dar e receber. Porque se nos darmos pode ser difícil, saber receber não é tarefa fácil. A gratidão é mais do que um “obrigado” lançado ao vento e que de tão leve de conteúdo dilui-se antes de nos alcançar, antes de nos entrar no peito, reconfortar e apaziguar as incertezas da alma. Agradecer tornou-se um mero gesto de “boa educação”. Até porque desde crianças nos habituamos a receber coisas fabricadas em série, coisas que todos têm e nada, nada mesmo nos parece especial.
Mas amar é um dom, que ultrapassa os mecanismos, a industrialização, o consumismo, o comum e que o vê e o sente individual, único na atitude de oferta não de “objecto”, mas da intenção que cria o gesto da compra, do embrulhar até à mão estendida que oferece, quando nesse afago se dá a si também em amizade, em carinho, em amor.
Amar é um dom, reafirmo, um dom que não vejo em alguns olhares, em alguns corações que ainda não o sentiram desperto e mesmo quando vêm de mãos estendidas, quando chegam de braços abertos, dão, e no entanto, sem se dar.
Mas não vou acumular ressentimentos pela aparente falta de gratidão, não vou prantear a dureza de um silêncio que não ganhou voz. Vou olhar tudo isto como uma etapa de crescimento  e perceber que a proximidade tem sempre uma distância que medeia a realidade do que cada um é  e a idealização que dele fazemos. E porque amar é um dom, sem sabermos bem como, vamos amando e acreditando que a “verdadeira riqueza humana, não está no que se vê, mas no que cada um traz no coração”.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Post.it: Eu e o meu "Eu"

O problema é o Eu, não eu enquanto pessoa, enquanto ser social, mas o meu Eu, ego, auto-estima, vaidade, desejo e vontade.
O problema é o Eu, que exige direitos que quer que sejam seus, unicamente seus. Que reclama atenções que acha, lhe são devidas, porque afinal esse Eu, é boa pessoa, exigente mas generosa, custava que lhe dessem um pouco da medida que dá?
Talvez sim, porque quem recebe, nem se apercebe da dimensão de cada gesto, de cada pensamento, de cada sentimento. Não percebe que cada letra escrita, cada palavra verbalizada vem de dentro, não do espaço das banalidades mas da fonte mais profunda,  de onde brotam as emoções.
Então o meu Eu fecha-se dentro do peito, inventa a sua ilha e sonha que em algum lugar existe um mundo mais verdadeiro, mais inteiro, mais palpável. Que em alguém há num qualquer lugar do seu um coração que saiba sorrir, uma alma que saiba dar de si sem querer apenas receber, guardar, e apreciar sem reconhecer, sem retribuir.
 Mas no fundo bem no fundo, o meu Eu sabe que esse lugar não existe que esse Outro nunca será  um encontro. Que a vida é feita mais de desencontros do que encontros. Que tudo neste universo de vidas é uma mera passagem, que tudo é finitude e que mesmo o infinito de um momento único e belo nem sempre chega a existir.
Porque por mais que façamos, por mais que nos reinventemos, adaptemos, tentemos conquistar e quase ser idênticos aos nossos semelhantes, seremos sempre nós, e dentro de cada um de nós, este Eu.
Um Eu Honóris Causa, porque tem apenas um direito constituído de aparências. Uma capa, que nos envolve o dia e adormece a noite desamparada de coincidências.
Na realidade estaremos sempre sós,  apenas nós e o nosso Eu, mais ou menos adaptado, mais ou menos feliz com as pequenas coisas, mas também, quiçá, infeliz com todas as outras, perspetivadas, ambicionadas, sonhadas, mas que tarde ou nunca chegam a acontecer.
Os outros serão sempre os outros, mesmo quando entram na nossa vida, mesmo quando marcam o nosso passado, mesmo quando definem o nosso presente, não os devemos prender nem os tornar a causa do nosso futuro, um futuro que pode nunca acontecer da forma como o idealizamos, como construímos esse que é apenas um castelo de cartas. Não podemos viver com receio de ventos, de chuvas, de intempéries que desmoronem os nossos sonhos, temos de construir as bases sólidas 
de um castelo emocional para que não se desvaneça com a erosão do tempo, nem a cada obstáculo, a cada curva mais apertada da nossa estrada de crescimento.
Como o fazer? Talvez nunca o saibamos, vamos tentando descobrir em cada momento que a vida nos proporciona.
E um dia, talvez um dia o meu Eu se encontre comigo, num desses encontros felizes em que a emoção e a razão fazem as pazes e partem de mãos dadas pela vida fora num horizonte de Happy end(s)

sexta-feira, 21 de março de 2014

Post.it: O tempo e os lugares do nossos caminhar

É assim que o tempo passa, umas vezes sem darmos por ele, outras arrastando-se ou arrastando-nos para onde queremos ou não queremos ir. Mas chegamos aqui. A lugares que não idealizamos mas que de uma forma ou de outra nos fizeram chegar. Era bom pôr a culpa no destino, nessa mão invisível que vai escrevendo (direito) por linhas tortas, por vezes muito tortas. Mas será que é mesmo assim? Não seremos uma pequena bola que vai batendo em outras bolas e fazendo uma onda de energias e reações? Talvez todas as coisas tenham as suas consequências. Os pais, os lugares, os amigos, os inimigos, e no somatório de tudo isto, nós. Em alguns casos, a continuação de nós, nos elos entrelaçados de genes, de fugas à tradição, à imposição. Mas no fundo, bem no fundo, não podemos fugir. Cada fuga de um para outro lugar, de uma para outra situação é apenas e sempre o nosso caminho. Não há como voltar atrás e remediar o que está errado. Resta-nos tentar fazer do presente um futuro que quando for passado não nos crie arrependimentos, que nos faça sentir que até gostamos do passar do tempo, das suas rugas, das suas feridas saradas. Leve o tempo que levar. Leve-nos ele para onde nos levar.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Lágrimas

“As lágrimas lavam os olhos e limpam a alma!”
Um ditado, como tantos outros. 
Às vezes verdade outras nem tanto.
As lágrimas deixam os olhos salgados
Vermelhos, inchados
Ardidos e doridos pelas lágrimas que os lavaram.

E a alma?
Liberta-se só por um momento!
Uma lágrima chama outra e outra e outra
Tantas, tantas !
Um pranto de profunda dor
que deixa cair em lágrimas
os gritos que não pode gritar
as revoltas que minam e tem de calar.
os segredos que doem e não pode contar.

E a alma?
Fica limpa de tanto chorar?
Deixa cair a dor em pingos de sal a rolar
Mas não limpa, esvazia!
Porque são gotas de esperança a fugir
que deixam a alma pequena e a fazem mirrar.

E quando o pranto se cansa e se esgota o chorar
Secam-se as lágrimas e fica apenas o sal 
Tornam-se mágoas com arestas de cristal
Que se escondem e fingem sarar
Mas rasgam, cortam e abrem feridas que nunca vão fechar.
As lágrimas não aliviam nem curam
Só cansam os olhos
Estalam a pele
E nem impedem o coração de estoirar!

terça-feira, 17 de setembro de 2013

É o futuro

Voltar à escola
Que emoção!
Um mundo de caras novas
Passam, falam, riem…
Eu passo, chego.
Nem reparam em mim.
Sustenho a respiração.
Donde vêm?
Onde quererão ir?
Saberão?
É o futuro
À espreita
Em espera
Ainda por decidir.
Abro a porta.
Quererão vir?

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Setembro

Setembro
é especial
é início
é projecto
desejo de caminhar.

Mas é fim de verão
princípio de outono
e anuncia o inverno!

Sim, têm razão!
Mas é tempo de recomeçar!
a aprender
a trabalhar
a viver.
É tempo de acreditar no futuro.
Sim, aquele que temos de construir
se quisermos "passar"!

E para quem neste mês nasceu
é o tempo de festejar
a prenda que a vida lhes deu,
que a saibam aproveitar!

Para alguém muito especial
que a vida sabe merecer
que setembro seja mês feliz
por todos os anos que viver!

Nota: Uma pequena "prenda"para Olhares, pelo seu aniversário. Alguém que torna setembro e a vida muito mais luminosos. Parabéns por seres quem és!

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Ainda há quem tenha brio?

Palavra pequenina, a traduzir desejo grande:
  . querer fazer bem feito
  . aperfeiçoar-se, para evoluir, para fazer melhor!
Palavra pequenina para tão grande vontade!
Sinto falta deste brio em quase tudo:
  . Nos bens e serviços, em que cada vez mais tudo é feito a despachar, com preocupação de aparência, mas tantas vezes sem inteligência funcional e com uma durabilidade só “até que me paguem”.
  . Na vida profissional em que cada um vai fazendo o suficiente, porque “não me pagam para mais”, em que o “mais” significa empenho, vontade, compromisso de merecer o salário e de contribuir para a sustentabilidade do seu emprego.
  . Na família e nas relações, em que cada um se vai mantendo acomodado à sua preguiça e escudado na sua maneira de ser, sem a generosidade de colaborar e de aplanar caminho até aos outros.
  . No plano político, em que cada partido, cada deputado, secretário ou ministro gasta mais tempo a promover a sua cor partidária ou a sua imagem e a garantir o seu futuro do que a procurar soluções e formas de valorizar os recursos naturais e humanos do país.
E, assim, a falta de brio pessoal e profissional passa a falta de consciência, a negligência, a logro, a roubo e…, evidenciando o nível de egoísmo em que as pessoas e a sociedade caíram.
Chamam-lhe direito ao individualismo, direito a ser quem é, direito a ter o que se deseja, direito a …
Talvez seja antiquada, de um tempo em que, a cada direito, correspondia um dever e em que o individualismo era considerado defeito.
Talvez seja antiquada, de um tempo em que ainda se acreditava que as relações, a família e a sociedade se baseiam mais no dar do que no receber.
Talvez seja antiquada, de um tempo em que se  dizia que só a contribuição briosa de todos pode garantir o bem-estar presente e a sustentabilidade do futuro.
Afinal, concluo: ter brio é querer fazer bem, mas leva-nos muito mais longe – torna-nos capazes de construir pontes, de aplanar caminhos e de criar bases sólidas para a durabilidade dos bens, das relações, das famílias, das empresas e do país.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Família

Fim-de-semana
Começa com F de Família
Rima com gente que se ama
Tal como cada dia
No calor dessa chama

Família
Princípio
Crescimento
Permanência
Longa duração
Mesmo quando a vida é dura
Até mais do que quando é canção

Família
Do lado do pai 
Da parte da mãe
Cresce
Do lado de cada irmão
E cresce
Do lado dos filhos e sobrinhos
A mesa vai-se fazendo maior

Família
É esta, do sangue
Onde cabe a outra
De encontro e escolha
Que entra
Fica
Permanece
E a família também cresce 
Do lado do coração.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Era uma vez: Sei de uma árvore.

Sei de uma árvore!
É alta, parece ainda forte e frondosa, como a querer tocar o céu e abraçar o sol.
Às vezes também olha para baixo e descobre a penumbra da sua sombra, as pequenas fendas que vão rasgando o tronco e as rugas cada vez mais fundas do seu casco.
Se o vento sopra mais forte, sente que já não o enfrenta com a mesma firmeza.
Se o sol se entusiasma no seu luminar, percebe que as folhas já se vão encarquilhando e deixando que finos raios cheguem ao chão, onde começam a despontar pequenas flores e ervas de um verde mais tenro.
Recorda os anos de juventude, em que o seu olhar se voltava apenas para cima, em busca da luz e do céu.
Depois, começaram a aparecer as flores, depois os frutos que, em cada ano, amadureciam e saciavam as aves, os pequenos roedores que subiam sem esforço pelo seu tronco ainda liso, e enchiam de alegria o agricultor, que vinha, de vez em quando, alisar a terra e cuidar para que as suas raízes estivessem sempre cobertas e que as ervas daninhas e os insectos nocivos ficassem sempre longe.
Foram anos felizes, de crescimento e esperança, ainda de olhar o céu, com uma ou outra olhadela ao chão, que não desistia de a chamar e atrair.
Nem se apercebeu do tempo passar, tão ocupada estava em procurar o céu, cuidar das flores, esperar os frutos, oferecê-los e sentir a alegria e o bem que ofereciam.
O agricultor deixou de vir. Passou a vir o filho. Depois vinha o neto
Foi feliz!
Sem dar conta, o tronco tinha engrossado e enrugado. A seiva subia mais lentamente. As flores demoravam e floriam cada vez menos. Os frutos eram em menor número e menos suculentos. O neto do agricultor vinha cada vez mais espaçadamente, até que envelheceu e mais ninguém veio.
Só as aves continuavam a querer os seus ramos e o sol continuava a acariciar as suas folhas, com o mesmo calor e a iluminar a sua copa com o mesmo entusiasmo.
Ainda era alta. Parecia forte e frondosa, mas já não tinha o mesmo vigor, já não dava os mesmos frutos.
Mas não entristeceu.
Vira outras vidas nascer, crescer e transformar-se em nova vida.
Crescera, oferecera a sua sombra, o seu tronco, os seus ramos, as suas folhas.
Tinha florido e amadurecido frutos vezes sem conta.
Oferecera-os todos. Vira a alegria com que tinham sido recebidos e compreendera a felicidade.
E ainda tinha o sol.
E tinha o chão.
Dera-lhe sempre pouca atenção e, agora, finalmente, respondia à sua voz e percebia que fora sempre ele o seu grande sustento.
E tornou-se amigo do chão.
Ainda é feliz!
Já não procura tanto o céu e o sol. Descobriu que eles estão já dentro de si, fazem parte do seu tronco enrugado, dos seus ramos que começam a decair, das suas folhas que já deixam passar a luz.
E tem o chão.
E  a luz que ilumina a terra e as suas raízes à superfície.
A mesma luz que faz nascer a erva mais verde e anima as flores a multplicarem-se e dá energia às borboletas, joaninhas e abelhas, que esvoaçam numa dança sem fim e lhe prendem os olhos e lhe enchem o coração.
Enche-se de alegria.
É uma alegria diferente, menos de si e mais dos outros.
É a alegria da vida recebida, saboreada e oferecida.
Agora, sim. É verdadeiramente feliz!


quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Onde está a esperança?

Um vazio, um nada assustador crescia, minava-o e deixava-o à beira da queda sem volta.
Lembrava-se do nada que, na História Interminável, ia invadindo o reino de Fantasia. De como ele se expandia e engolia e deixava atrás de si, o vazio. 
Fora um menino Atreyu que o vencera. Que, depois de muitas provas e obstáculos, muitos riscos e de quase morrer, descobrira a razão do tal nada que esvaziava Fantasia e ameaçava a vida da sua princesa. 
Uma razão simples, mas tão poderosa: a esperança estava a desaparecer do coração das pessoas e elas já não sonhavam, já não acreditavam.
E, assim, desaparecia um reino, por falta de esperança!   
Vira o filme, relera o livro e julgara ter compreendido a mensagem: a esperança é que motiva e move, a esperança é que faz viver.
Nessa época gloriosa dos “trintas” com os filhos pequenos, com uma vida longa pela frente (assim esperava) acreditava que nunca deixaria morrer a esperança em si! Tantos projectos tinha e de tal modo gostava de viver!
Ainda esperava tudo da vida. Não, não desejava ser rico, nem famoso, nem alcançar grandes feitos.
Apenas poder ganhar o necessário para criar e educar dignamente os filhos, vê-los crescidos, a tomarem conta de si próprios e a serem pessoas de bem.
Apenas poder contar com um futuro que o seu esforço e as suas contribuições lhe prometiam.
Apenas poder amar e ser amado, como o seu coração desejava e merecia.
E, nessa época, tudo isso lhe parecia tão simples, tão natural, tão espectável, tão alcançável.
Nessa época, a esperança era possível. Pela idade, pelo caminho de crescimento em que o país parecia ter finalmente embarcado, à boleia de uma Europa que considerava sólida e, depois de duas guerras, finalmente sábia.
E, sobretudo, havia ainda tantos anos pela frente! O seu coração tinha ainda tanto tempo! Havia ainda tantas possibilidades!
Mas … 20 anos passaram... Depois de tanto caminho feito, percebera dolorosamente o real significado do nada que ameaçava Fantasia. Porém, agora, esse reino era dentro de si e estava a ser invadido, a transformar-se em nada, em vazio.
Não, não perdera a esperança. Ela é que se fora embora.
Levara-a a falta de caminho para os filhos, num país saqueado e à deriva.
Levara-a a falta de um futuro para si, com as suas contribuições desbaratadas pelos salteadores ou piratas que se arvoram em donos de tudo e de todos, que mandam e desmandam, sempre em seu proveito e raramente a pensar no bem comum.
Levara-a a perspectiva de trabalhar até morrer, se tiver a sorte de não ser despedido.
Levara-a o passar dos anos sem encontrar resposta à capacidade de amar e de se dar.
Um dia acordara e descobrira o nada dentro de si. 
O seu vazio, o seu cheiro, a sua náusea, a sua escuridão.
Agora, luta diariamente por vencê-lo, percorre todos os caminhos em busca da esperança. Em vão. Ela não se deixa encontrar, ou talvez tenha emigrado.
Agora, já não conta com a vida toda pela frente. Vê-a atrás de si e resta tão pouco tempo para ainda sonhar e acreditar!
Mais uma vez acordou sozinho. Sentiu o nada a alastrar, o vazio a crescer.
"Onde estás esperança?"
Só o nada respondeu.
Sentiu-se perdido.
Como viver mais um dia sem esperança, sem a sua promessa de que tudo vai correr bem?

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Setembro

É segunda-feira, primeira de Setembro, mês que lembra escola, trabalho, a despedida da liberdade dos dias e o retomar da rotina das horas contadas, preenchidas, sempre curtas, fugidias, pequenas para tanto que nelas queremos fazer.
Retorno
Rotina
Tempo contado
Tarefas destinadas
Oiço uma voz, que algures dizia:
“Não quero voltar à escola!”
“Nem eu!” Pensei.
E outra voz: 
“Segunda! De novo o serviço, 
o mesmo caminho, as mesmas pessoas, os mesmos afazeres!”
“Também não me apetece nada, 
a segunda, o setembro!”
E da minha infância chegou o dito de alguém – “o trabalho foi um castigo que Deus deu ao homem.”
“Talvez ao homem, mas muito mais à mulher”, foi a resposta da minha mãe.
Segunda
Setembro
Trabalho
Rotina
Castigo?
Para muitos é apenas esperança.
A esperança de serem colocados, chamados, integrados.
A esperança de alguma segurança, mesmo que de apenas alguns euros contados, que terão de ser muito bem esticados.
A esperança de realização, de fazer o que se gosta ou aprender a gostar do que se pode fazer.
Que venham setembro e os meses que se lhe seguem!
Mas, por muito que seja bom e necessário trabalhar, hei-de sempre desejar o fim de semana, os feriados (ter saudades dos roubados) e esperar as férias e a liberdade dos dias e das horas e gostar mais, muito mais de agosto que de setembro!

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

"I have a dream!"

Há sonhos maiores que nós
Para além de nós
Mais longe que o nosso tempo.
Sonhos que nos tomam a vida
Que não desistem dentro de nós
Que nos mudam o coração e o destino
Que nos sobrevivem.
Sonhos a que o tempo dá razão
E a História consagra
Conta em todas as línguas
E transforma em sementes de novo sonho.
Porque alimenta-se do sonho de mais além
sabendo que sem sonho não há mudança
Sem sonho não se avança, não há caminho
Sem sonho não há histórias nem vida!
Por isso, “I still have a dream!”
É semente a germinar
Que ecoa e cresce nos caminhos da vida
E há-de ser novamente História a contar:
Outros clamores de igualdade
E outras conquistas de liberdade.


quinta-feira, 29 de agosto de 2013

O tempo sem tempo

Tempo
Corrida
Viagem
Vida!

Corre, corre
Ao ritmo do horário
A trabalhar
A cumprir.
E quem vence?
O calendário!

Falta tempo e lugar
Falta reflectir
Conversar
Poder estar
Sentir
Amar!


quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Era uma vez: Sementes de sonho

Sentada em frente do computador, Beatriz organizava mentalmente as ideias que iriam encher as páginas brancas. Quando se preparava para escrever uma nova história, já construída mentalmente, vinha-lhe sempre à memória a sua infância, época em que toda a sua fantasia fora criada e guardada, como um valioso tesouro de onde foram saindo todas as sementes da sua escrita.
Era no jardim das traseiras que, em miúda, passava horas esquecidas no abraço da penumbra sombria das árvores centenárias, que tinham assistido ao erguer do pequeno palacete, numa alameda relativamente próxima da pequena cidade, mas suficientemente afastada para garantir silêncio e isolamento – duas exigências do seu avô paterno, homem de posses, que o idealizara.
Beatriz habituara-se ao ambiente calmo e silencioso da casa e do jardim. Conhecia pouca gente. A estranha doença da mãe e o mistério em que todos envolviam as circunstâncias do seu nascimento tinham sido os motivos do isolamento social da família. Não fizera amigos, apenas sabia que existiam pelos livros que lia compulsivamente.
Com apenas cinco anos aprendera a ler, quando a mãe ainda conseguia resistir à atracção do silêncio de si e saía por algumas horas do seu mundo de tristeza. Com ela, aprendera a juntar letras, a formar palavras e a decifrar frases e parágrafos. Descobrira assim o mundo dos livros, onde aprendera a vontade de viver e o hábito de sonhar.
Num dia de Outono, esperara a mãe, em vão. Não quisera sair do quarto e os seus olhos ficaram perdidos em paisagens que mais ninguém via e que só a ela faziam sorrir. Percebera, mais tarde, que era um sorriso triste, de saudade e desistência.
Ninguém lhe explicara as razões de tal doença. Sabia, agora, que não era do corpo. Fora a alma que, nesse dia, não encontrara a vontade de viver e, assim, se escondera e sossegara.
Os avós, a ama e até a empregada que vinha todos os dias da cidade zangavam-se sempre que se atrevia a falar no assunto. Adivinhava a relação com o seu nascimento pela frieza com que os avós a tratavam – como se fosse a culpada da doença da mãe. Desistira de os questionar sobre o pai, tal era a fúria que lia no olhar do avô e a dor que se espelhava no da avó, quando respondiam contidamente: “– Não são assuntos para a tua idade. Dá graças pela vida boa que tens!”
Restavam-lhe as árvores do jardim. Nomeara cada uma e fizera de todas suas amigas. Lia-lhes, em voz alta, os muitos livros que a mãe coleccionara, a maioria de histórias e poemas. Era também com as suas altas amigas que lia os livros que o avô lhe trazia regularmente. Livros de História, Ciências ou Geografia – matérias que o avô dizia que ela poderia aprender sozinha. Para a Matemática, a Música e as Línguas, vinha uma professora pouco faladora, duas manhãs por semana, que se cingia aos assuntos de estudo.
O jardim era o seu mundo. Um mundo apenas seu, onde permanecia e de onde a sua mente viajava pelos oceanos e continentes da imaginação, sonhando voar acima das altas copas a que nunca tivera permissão de subir.
Nessas viagens de fingir, voara longe e descobrira tesouros que guardava nas páginas dos cadernos que nunca eram suficientemente grandes para tantas palavras, tantas ideias, tantas histórias e tantos desejos! Guardava ciosamente cada um deles numa caixa que escondera no tronco da velha tília, guardiã do seu tesouro e confidente das suas lágrimas, dos seus risos, sonhos e esperanças.
Assim se fizera adolescente e jovem mulher. Apenas adivinhara a beleza da amizade e do amor nas páginas dos livros. Vivera esses sentimentos nas viagens interiores, onde descobria e criava mundos que só ela conhecia e lhe ofereciam o que a vida real teimava em roubar-lhe.
Sabia agora que esses mundos e tesouros, só seus, lhe tinham permitido sobreviver e vencer a solidão, transportando-a em segurança para a vida adulta, onde veio a descobrir que todo o mistério, toda a tristeza que roubara a vida da mãe não passara de preconceito – um amor proibido, uma mãe solteira, uma filha escondida, um pai desconhecido e para sempre perdido.
Revoltara-se e cortara relações com o avô. Desprezara a avó pela sua submissa passividade, mas nunca pudera compensar a mãe pela vida roubada e aprisionada, nem compreender ou perdoar as vãs razões do avô - uma imagem a manter, supostos valores a preservar que, para ele, se tinham sobreposto à felicidade da filha e ao direito a crescer da neta.
Deixara a casa e o seu jardim. Esse trouxera-o na caixa dos tesouros que a velha tília tão bem soubera guardar, com os sonhos e a vida que se descobrira e crescera à sombra de tão altas e sábias amigas e que, por sorte ou providência, se transformara em imaginação, riqueza e dom que partilhava com os seus leitores. Talvez, algum deles, prisioneiro de um novo preconceito (sim, porque ultrapassado um, os auto-nomeados guardiões de valores inventam logo outro), se sentisse tão sozinho como ela fora.
Era para esse que ela contava as suas histórias, escondendo nelas asas de voar por dentro e sementes de sonho de vida respeitada e amada.
Quem sabe, talvez alguém as descobrisse e semeasse.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Vidas sentidas

As pessoas passam
Cada uma com seu ser diferente
O feitio do corpo, o arrumo ou desalinho do cabelo, as mãos, o pisar do chão, mas sobretudo o olhar e a expressão da boca.
Já repararam?
Cada particularidade aponta para um forma de estar na vida e de ser, para si próprio e para os outros.
E, se a ouvimos falar…
Então é quase fácil perceber a alegria ou a amargura, a desilusão ou a realização, o temor ou a esperança no futuro, o cantar ou o chorar que traz na voz…
Gosto de observar as pessoas e imaginar a vida que elas, em poucos momentos me revelam.
Imagino que as chamo e se sentam e contam.
Vidas sentidas, tantas vezes doídas, choradas.
E outras tantas, doídas mas cantadas.
Gosto do cantar da vida sofrida.
Que sofreu, mas cresceu e viveu, saiu de si e não deixou que as lágrimas fossem vãs.
A vida é doída, para todos.
Mas também tem um cantar que está ali, que não podemos ignorar.
Um cantar que nos põe o sorriso na alma, nos dá brilho aos olhos, nos ilumina o rosto e dá postura ao corpo.
Um sorriso, um brilho, uma luz que, em poucos segundos, podemos oferecer a quem quer que por nós passe e por momentos nos olhe.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Eu escolho o bosque

“Faz mais ruído uma árvore que cai do que um bosque que cresce”
Sábia afirmação do papa Francisco, a propósito dos escândalos provocados por alguns, que abafam a entrega diária e o bem que a maioria faz.
Tão verdade! Em todo o lado. Na família, no emprego, na escola, no grupo de amigos…
São árvores que vão crescendo e parasitando e abafando todo o bosque, escudando-se e servindo-se dele, para ganharem porte altivo.
Crescem e proliferam porque dão nas vistas, porque ganham dinheiro e têm sucesso e, tantas vezes, são vistas como exemplo. 
Enquanto estão de pé, todos admiram essas árvores, sem olhar para as suas raízes. Essas só se vêem quando elas caem. Então, vem o escândalo, a critica…
Para além da nuvem de poeira que levantam, ninguém repara no bosque, ninguém valoriza as árvores iguais a todas as outras, que trabalham, se entregam, procuram o bem comum. Por isso, não traem a confiança de quem os ama, voltando costas ao compromisso e à responsabilidade; não se promovem nem se encostam, prejudicando e sobrecarregando os colegas. São árvores normais que amam, trabalham e procuram estar à altura do seu papel na família, no emprego, na sociedade.
Um desafio: olhar mais para o bosque e menos para as árvores pomposas e de porte enganador. Ver para além delas e valorizar mais cada árvore que permite o crescimento continuado do bosque.


sexta-feira, 23 de agosto de 2013

A falta que nos fazem!

Habituamo-nos a certas coisas, pequenas coisas que nos sabem e fazem bem.
Um café, no silêncio e frescura da manhã, com um bolinho ou um sorriso luminoso, para adoçar o dia.
Um carinho, um sorriso, uma palavra, naqueles momentos em que só nos resta aceitar o que a vida traz, porque não adianta lutar, porque não está na nossa mão mudá-la.
Um “gosto de ti!”, ao acordar e no final do dia, que nos faz sentir acompanhados e saber que podemos partilhar o caminho, nas suas agruras e alegrias.
Ou coisas mais simples que, tantas vezes nos custam: uma refeição para decidir, uma cozinha para arrumar.
Um trabalho para realizar, com metas a alcançar e com a preguiça da segunda e a expectativa da sexta.
E tantas, tantas pequenas coisas!
Daquelas coisas que, só quando as não temos, se revelam tão grandes e nos fazem tanta falta!