sábado, 20 de novembro de 2010

Post-it: Namoro luso-brasileiro

Em mais um “passeio” nos transportes públicos tive como companhia no banco da frente um casal de namorados. Ela brasileira, ele português, ambos na casa dos 50. Ela ainda cheia de vitalidade, ele mais tranquilo, estava mais para fado , faltando-lhe já alguma energia para tanto samba. O diálogo fazia-se em diferentes sonoridades:
- Que vamos fazer este final de semana? Perguntava-lhe ela pendurando-se-lhe no pescoço. Ele meio tímido ou embaraçado com tanta espontaneidade, respondia:
- Pois, não sei, parece que vai chover…
- E dai? Eu não sou de açúcar!?
Ele sorri como se tivesse  encontrado a sua deixa perfeita.
- Pois não, mas és um doce de mulher.
Desarmou-a com tais palavras, a gargalhada surgiu franca e solta.
- É por isso que eu gosto dos portugueses, são tão sérios, mas dizem coisas lindas. Agora é que eu me derreto todinha!...
Não sei  que planos  fizeram  para o fim-de-semana, mas certamente que o tornaram muito doce e derreteram-se um pelo outro.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Lembras-me...

Lembras-me
Um encanto de marés,
Numa calma a transbordar.
Onda que se derrama aos pés,
No desejo do amor alcançar.
Lembras-me
Uma imensa praia deserta,
onde os passos nunca caminharam.
Como se fosses a rota incerta,
Em que os sonhos se desencontraram.
Lembras-me
Um cais a onde aportaram
barcos, viajantes de solidão.
Que em ti em vão buscaram,
algo mais que uma paixão.
Lembras-me
Um farol na noite escura.
Uma esperança renovada,
na luz que de forma segura,
indica o caminho da enseada.
Lembras-me
Uma vela entregue ao vento,
no desejo eterno de acreditar.
Mas deixou-te na alma o tormento
e o teu ser num profundo mergulhar.
Lembras-me
Um vasto azul navegador.
Que acalma o forte vendaval
Quando este se transforma em dor
e o mar dos teus olhos sabe a sal.

Novos dias virão

Há dias assim…
em que o sol se esconde.
Tudo parece desfeito
e nada aparenta ter sentido.

São dias de mau tempo
no coração e na alma,
dias de lágrimas e dor
que parecem não ter fim.

Mas atrás das nuvens
continua a haver luz e brilho
e amanhã será outro dia.
As nuvens partirão,
o sol voltará a brilhar
e secará as lágrimas.
O sorriso aparecerá
e dirá à dor.
vai, não te quero!
E ela irá
e dará lugar à esperança
que traz consigo a alegria
e a vontade de recomeçar
e acreditar
e lutar
e vencer!

Há dias assim
mas passam
e novos dias virão!

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Post.it: A crise

Em tempos de crise, temos que fazer opções e como sempre, difíceis ajustes no orçamento. Lá terei de deixar o Ferrari na garagem e passar a ir para o emprego no Jaguar. Vender o palácio no Campo Mártires da Pátria no valor de 10 milhões de euros e comprar um mísero apartamento de 3,8 milhões de euros em Cascais. Vou ter de deixar de beber pérolas como fazia a Cleópatra e passar a beber tão simplesmente, champanhe francês. Terei de trocar o glamour dos fatos Chanel por um simples Benetton. Vou vender o meu Rolex e passar a usar um mero Ómega. A crise exige estas complicadas adaptações. Mas é difícil prescindir destas coisas tão básicas ao comum dos mortais.
Porque este é um mundo que existe com ou sem crise, que sofrerá à sua dimensão. Porque como dizia Voltaire “Quando se trata de dinheiro somos todos da mesma religião” embora deva acrescentar que uns mais “devotos” do que outros.
Prefiro contudo a teoria de Edward Gibbon “Na verdade sou rico, visto que o meu rendimento é superior às minhas despesas e as minhas despesas são iguais aos meus desejos”.
Parece-me uma economia equilibrada, não desejar o que não se pode alcançar e sobretudo valorizar o que se tem. Ou como diz Daniel Defoe “O descontentamento por aquilo que nos falta procede da nossa ingratidão por aquilo que temos.”
Não esquecendo que “A felicidade é interior, não exterior; portanto não depende do que temos, mas do que somos.”

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Post.it: O que diz o coração?

O que diz o coração?
Pois, segundo o meu médico, diz que a tensão arterial está boa, os batimentos cardíacos regulares, mas o colesterol ainda me vai matar!
Sim, está bem, mas e o que diz o coração?
Bem, segundo o meu contabilista a coisa está preta, os impostos ainda vão acabar com o meu coração.
Ok, mas e o que diz o coração?
Do ponto de vista do meu advogado, tenho hipótese de ganhar o processo, mas os honorários dele é que vão aniquilar-me o  coração.
Sim, sim, mas e o que diz o coração?
Segundo o meu chefe, temos que ter mais eficácia e rentabilizar melhor o tempo, fazer horas sem serem pagas está a arrasar-me com o coração.
Adiante, e o que diz o coração?
Olha, segundo o mecânico da oficina, o meu carro está nas lonas, o trânsito e o pára arranca vai rebentar-me com o coração.
Pois, pois e, o que diz o coração?
Ai o coração… Diz que tanto amor já não cabe no peito. Que salta quando vê aquela pessoa. Que se derrete todo quando a abraça. Que um dia vai explodir de tanta emoção.
O que diz o coração perguntas tu?
Olha, diz que está feliz!

As lágrimas e o riso

Quando o coração chora ou ri
nota-se nas palavras e na voz
vê-se no brilho dos olhos
sente-se nos gestos e no estar.

A dor ou a alegria do coração
ganham vida
inundam o rosto
preenchem os dias
tomam conta de tudo
querem ser partilhadas.

Partilhar o riso sabe bem,
mas dizer das lágrimas…
Não. É mais fácil escondê-las.
Vislumbram-se na voz e no olhar
mas dificilmente se confiam.
É preciso que as adivinhem
que alguém as pergunte
e verdadeiramente as queira secar.

Rir com um amigo é bom
mas confiar e secar as lágrimas
faz crescer a confiança
aperta os laços da afeição
e torna duradoura a amizade.

Quando se ri
está-se bem com os amigos
Quando se chora
conhecem-se e valorizam-se os Amigos.
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terça-feira, 16 de novembro de 2010

Palavras e palavras

Há palavras que são mais
muito mais do que palavras:
falam
acariciam
confortam
dão alento
iluminam…

Essas palavras
têm de ser dadas
têm de ser ouvidas
não podem ficar caladas!

Outras há que, pelo contrário:
gritam
ofendem
magoam
desanimam
apagam tudo:
a alegria, a vontade,
a esperança e até a amizade.

Bem podiam, essas palavras,
ser pensadas antes de ditas
e, quem sabe, virem mudadas
ou mesmo ficarem caladas!
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Post.it: Sonhos possíveis

Estou decidida, só vou ter sonhos possíveis! Daqueles que mais tarde ou mais cedo podemos realizar. Afinal sonhar com o impossível só cria angustias e decepções. Costuma-se dizer, que sonhar por sonhar que se sonhe alto. Mas sejamos realistas, sonhar e nunca alcançar, desgasta e não se chega a conhecer o prazer da vitória. Por isso em vez de vencer a guerra é preferível vencer cada batalha. Além disso, quem disse que não é bom conquistar pequenas coisas em vez de almejar as grandes e inatingíveis?
Com a serenidade de quem sabe que vai conquistar os seus objectivos vou construindo a minha lista de sonhos possíveis:
Sonho com aquela mensagem que na sua simplicidade vai direitinha ao meu coração. Sonho com aquela amizade fugidia que um dia deixa de fugir e ri comigo numa explanada à beira mar. Sonho que aquele adolescente que vi crescer vai encontrar o seu rumo. Sonho que aquele casal entre tantos outros reencontra o sentimento que os uniu. Sonho que os amigos vão permanecer para toda a vida. Sonho que vou saltar nas poças da chuva. Sonho que vou guardar a última folha de Outono daquela árvore que me oferece uma refrescante sombra no verão. Sonho com uma lareira a crepitar enquanto neva lá fora. Sonho que ainda um dia serei hippie de coração com alma de anarquista e flores no cabelo.
Sonho sonhos possíveis porque acredito que um dia ainda os vou realizar.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Post.it: Por vezes basta apenas...

Não podemos viver a vida dos outros, resolver os seus problemas ou sentir a sua dor. Não podemos  estar sempre com aqueles que necessitam da nossa presença, não podemos estar com eles 24 horas por dia, talvez nem todos os  dias. Mas podemos tentar  estar e dar-lhes o melhor de nós, com palavras, com gestos ou até com o silêncio. Muitas  vezes esta é a melhor forma de se estar. Confesso que tive alguma dificuldade em aceitar esta modalidade, sou uma pessoa de entrega total, de sorriso pronto, de palavra imediata.  Com o tempo percebi que o silêncio também  é  uma forma  de auxiliar, que a ausência pode ser uma forma de permanecer. Que não magoar é uma forma de aliviar a dor. Por vezes basta pairar no ar, deixar a vida correr ao seu ritmo. Basta talvez, apenas, existir e deixar que o auxílio e apoio surjam no momento em que o solicitem. Basta que saibam que estamos ali. No entanto, por vezes penso que se esquecem, que se recolhem em si e não buscam um atenuar, um abraço, naquele que está sempre disponível. Isolam-se, sofrem sozinhos, como se a dor fosse apenas sua, esquecendo-se que também é nossa por sermos a família ou amigos, por gostarmos dessa pessoa.
Por isso lembro aqui que gostar de alguém é aceitá-la como ela é e também como está em cada momento da sua vida.
 

Post.it: Palavras

Há dias em que nos apetece dizer. Dizer coisas belas e profundas, ou tristes e sérias, ou de alento e esperança. Mas não temos palavras, não as encontramos cá dentro ou não as sabemos juntar. Então, descobrimos as palavras de outros que dizem o que as nossas querem contar e não sabem. Por isso, as (re)dizemos e, sabendo que não nos pertencem, fazemo-las nossas :

"De tudo ficaram três coisas:
a certeza de que estamos sempre começando...
a certeza de que é preciso continuar...
a certeza de que seremos interrompidos antes de terminar.

Portanto, devemos fazer:
da interrupção, um caminho novo...
da queda, um passo de dança...
do medo, uma escada...
do sonho, uma ponte...
da procura...um encontro!"

Palavras de: Fernando Pessoa

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Port.it: Só sei que nada sei

Sócrates sempre dizia que a sua sabedoria era limitada à sua própria ignorância (Só sei que nada sei.). Ele acreditava que os actos errados eram consequência duma manifesta ignorância.
Concordando na minha modesta  opinião, sinto que tentamos encontrar uma saída, uma estrada, uma descida ou uma escada. Um caminho sem muitas curvas porque tenho tendência para enjoar, nem demasiado recto, porque ainda adormeço de tédio. A lição é aprendida, mas para cada nova situação a lição  é de novo esquecida. Então questiono será que nunca aprendo para não voltar repetir os mesmos erros? Mas o coração sorri como se fosse uma criança que vive ainda de esperança.
Aceito-me como sou, capaz ainda de acreditar, capaz de me deslumbrar, capaz de começar tudo como se não tivesse sentido como se não tivesse sofrido. Começar sim, porque não encontro sentido na palavra recomeçar como se fosse um retomar tudo o que se tinha acabado.
Começar é partir do zero, escrever uma história, a nossa história, num livro de folhas brancas.
Admirar os olhos desse novo olhar. E a cada pergunta sobre a vivência  passada  responder apenas:  Só sei que nada sei.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Era uma vez: O calor da bondade

Conta a lenda, com alguma poesia, que Martinho seguia no seu cavalo, num dia chuvoso e frio, quando encontrou um mendigo enregelado, a esmolar na beira da estrada empedrada. Poderia ter passado sem sequer o olhar ou dar-lhe uma esmola e seguir adiante. Mas o soldado Martinho sabia olhar e ver. Por isso, com a espada de soldado, cortou a sua capa ao meio e deu metade ao homem que nunca tinha visto mas em quem reconheceu um ser humano seu igual.
O seu gesto foi apreciado pelo astro rei, que afastou as nuvens e secou a chuva para poder brilhar e, assim, iluminar e aquecer aquele dia em que a bondade encheu o coração de quem a deu e de quem a recebeu.
É assim que o “verão de São Martinho” nos lembra que, além de apreciarmos as deliciosas castanhas, podemos multiplicar, com gestos simples, a atenção e a gentileza para com os outros, em todos os dias e momentos. Uma receita antiga, mas sempre eficaz para se viver com sentido e alegria.
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Post.it: Fadas do lar?

Em mais uma conversa de café com as minhas amigas, daquelas que entre um café e um pastel de nata vamos desabafando, ironizando ou apenas saboreando a companhia agradável da amizade. O assunto eram as lides domésticas. Chegámos à conclusão que não sabemos bem porquê a sociedade em geral e a masculina em particular considera que as mulheres adoram as tarefas domésticas. Pois, garantimos-lhes que em geral não somos fãs dessas lides!
Eu particularmente, com a minha descontrex habitual confesso, não sou nenhuma fada do lar! Limpar o pó? Não posso, faço alergia. Limpar a cozinha? Pois, prefiro fazer dela o meu laboratório de experiências, já vos contei como fiz pipocas pela primeira vez? Eis a receita, mas não a repitam, coloquei o pacote de milho todo num tacho, resultado? Bom, digamos que inventei a forma de fazer com que nevasse  em casa, durante meses ainda encontrei pipocas nos lugares mais estranhos. Quanto a aspirar? sinceramente não tenho jeito nenhum para conduzir o aparelho e choco com todos os móveis, deixo o fio preso em todo o lado e lá vem tudo a trás. Odeio limpar vidros, parece que quanto mais limpo pior ficam, será que há algum truque? Eu desisto, a chuva que os limpe! E, a tarefa de engomar? O drama de qualquer dama que se preze, por mim, tá-se bem, coloco os auscultadores sem fio para ouvir o som nuns decibéis acima dos permitidos por lei, escolho a onda musical, optando por algo bem mexido e entre uns passos de dança (sem sair do mesmo sitio) de cha, cha, cha, uma salsa, lambada, samba e porque não um kizomba, a roupa vai desaparecendo e o exercício físico realizado com sucesso. Cuidado, nada de valsas para não se enrolarem no fio do ferro. Qual ginásio, qual dieta?! Engomar é que está a dar, é mais barato, apresenta  excelentes resultados e é divertido. Experimentem e depois contem-me como foi.


quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Era uma vez: Para lá do mar

Costumava sentar-se na areia a ver o mar e a ouvir o bater das ondas contra o molhe que se estendia água dentro, a tentar suster a força do oceano que, em dias de vendaval, se transformava em animal feroz, a rugir contra os homens que ousavam sonhar domá-lo.
Ele ousara desafiá-lo. Saíra em tarde que prometia tempestade. Dizia que com mau tempo os peixes se deixavam apanhar melhor e partira a sulcar as ondas na traineira com o seu nome – Maria dos Anjos. A tempestade crescera e ele não voltara.
Agora, restava-lhe olhar a água imensa e escutar as ondas. Às vezes parecia-lhe que, na voz do mar, vinha a dele a dizer-lhe o mesmo de sempre: “Não és dos anjos, és minha! És o meu anjo.” Anjos, seria, mas não fora capaz de guardá-lo. Gastara as lágrimas e o tempo à espera de um sinal de vida que nunca chegara. O amor, esse não se gastara, crescera na lembrança e no peito e fizera-se ausência e silêncio, mas nunca solidão. Estava com ele quando se sentava à beira-mar, ouvia-o no rugir das ondas, sentia-o na espuma que lhe beijava os pés e o vento continuava a trazer-lhe a sua voz “meu anjo, meu amor”.
Quem a via sentia pena da rapariga que se tornara mulher à espera do seu amor. Enlouquecera - diziam uns; fugira para dentro dela - achavam outros; ele levara-lhe o coração e a vontade - diziam os mais românticos. Ela deixava que pensassem o que quisessem. Assim, deixavam-na em paz e em silêncio a ver o seu amor bailar no vento e a voz dele a chamar o seu nome.
Um dia seria anjo e voaria para lá do mar, onde ele a esperava.
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Post.it: Let it be

Quantas vezes a incerteza nos bate à porta e, sem sabermos que rumo tomar deixamo-la entrar. Deixamos que ela domine a nossa vida, os nossos pensamentos, os nossos sentimentos. Quantas vezes queremos seguir naquele caminho mas tudo nos empurra para o outro. Quantas vezes lutamos por um lugar ao sol mas as nuvens teimam em colocar-se à nossa frente. Quantas vezes o inverno parece infinito nos nossos dias e as noites tornam-se eternas sem o consolo do sono. Quantas vezes abrimos o nosso coração para que alguém  entrar, oferecemos tudo o que de melhor há em  nós mas esse alguém faz outra escolha. Nesses momentos paramos para pensar, muitas vezes paramos até para chorar. Inundados de mágoa perguntamos vezes sem conta. Porquê?
Nesses momentos difíceis surge sempre uma voz amiga que nos traz uma palavra de sabedoria e, nos diz, deixa ser.
Quando não está nas nossas mãos mudar as coisas que nos sucedem, então, deixa ser.
Porque quando encontramos no nosso caminho o amor, a paz e alegria, então haverá uma resposta, até lá, simplesmente “let it be”.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Post.it: Voluntariado

Aceitas o desafio? Seja ele qual for, aceitas? Foi assim que na sessão de voluntariado da Comunidade Vida e Paz nos lançaram o repto.
Aceitas esquecer-te de ti e lembrares-te dos outros?
Aceitas dar mais de ti em vez de esperares receber?
Aceitas partilhar o teu tempo com quem tem apenas tempo para partilhar?
Espero que aceites e que nos dias que antecedem o Natal queiras estar connosco no jantar dos sem-abrigo. Que em vez de passares horas infinitas nos centros comerciais envolvida na onda de consumismo, estejas aqui, connosco, envolvida numa onda de alegria e dádiva. Porque os sem-abrigo estarão cá, à tua espera, nesses dias em que tu serás a sua família, com quem vão viver o seu Natal. Esses 3 dias serão no conjunto dos outros 362 restantes, os momentos em que recordam o que é ter calor humano à sua volta. Porque esses sem-abrigo, mais do que sem-tecto, são sem-afecto.
Nesses 3 dias serão os nossos convidados, vamos pelo estômago conquistar os seus corações, tarefa fácil, porque eles têm sempre no rosto triste, a gentileza dum sorriso.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Post.it: Este pessimismo lusitano

Somos portugueses, um povo gentil e franco. Temos alma lusitana, sangue latino e espírito de garça real.
Ilustrando o nosso fado temos no olhar uma alegria triste, de gente feliz com lágrimas,   essas que derramamos no mar que nos ladeia a costa.
Saudade podia ser o nosso nome, saudades marinheiras quando o vento sopra nas velas e o coração parte com elas. Saudades trigueiras dessas terras do interior, planícies a perder de vista; penedos da longínqua infância.
Mas quem passa, não passa em silêncio, é habitual o cumprimento num tom comedido. Bom dia, como está?
A resposta tem um lamento na voz:
- Vamos indo;
- Mais ou menos;
- Como Deus quer;
- Já estive melhor;
- Tem dias.
Neste pessimismo reside o seu encanto, misto de esperança e desencanto.
Onde as brumas da memória contam a sua verdadeira história. Fomos além do Bojador, vencemos o Adamastor, não nos derrota qualquer dor!
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Post.it: Fim-de-semana

Espera-se, vive-se e fica-se com vontade de mais.
Não, não é pelo trabalho que não se tem.
É pelos horários que não têm de ser cumpridos, pelas refeições que se preparam com tempo e se saboreiam em família. Pelos passeios matinais, ou não, que libertam o corpo e a mente e nos fazem recordar caminhos feitos e outros a descobrir.
É pelo encontro que acontece, pelas horas de estar com quem se ama, pelo tempo de receber e dar felicidade e pelo abandono de simplesmente sermos quem somos.
O fim-de-semana é bom, muito bom, mas só quando no primeiro dia da semana temos de nos levantar cedo para trabalhar, para produzir bens ou serviços que ajudam a construir e nos permitem participar e obter o necessário para o “pão-de-cada-dia” – o nosso e o dos nossos. Então sim, o próximo fim-de-semana pode ser esperado e vivido com tranquilidade e alegria.
Mas, para quem perde o emprego, para quem quer e não encontra trabalho, o fim-de-semana tem um sabor diferente. Sabe a insegurança, a intranquilidade e a receio do futuro. Porém, o início de uma nova semana pode ser o recomeçar da esperança – quem sabe se a oportunidade esperada vai surgir e o próximo fim-de-semana poderá ser o tão desejado tempo de repouso e alegria?!
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domingo, 7 de novembro de 2010

Post.it: Uma história que merece ser contada

Ele era um homem na casa dos 30, não era um adolescente, mas foi assim que se sentiu quando os seus olhos encontraram os delas. Sorriram, reconheceram-se naquele olhar que os unira mas que os separaria mais adiante. Ele chegara um pouco tarde, ela começara uma relação e queria que esse fosse o seu destino. Ele abandonou Paris de cabeça baixa, a cidade do amor, a cidade luz, que lhe acendera uma esperança no seu peito, pouco depois a apagaria. Regressou a Portugal, seguiu a sua vida, tentou esquecê-la e a dada altura pensou mesmo que o conseguira. Regressou a Paris 12 anos depois, numa festa, o seu olhar encontrou-se com outro, o seu coração saltou, já conhecia aquele sintoma, teve medo de avançar. Ela sorriu, ele cumprimentou-a tímido, não a reconhecendo. Ela lembrou-lhe que se tinham conhecida há 12 anos. Ele ficou sem palavras porque tinha tantas para lhe dar, um beijo profundo disse-as todas, libertando do peito aquela saudade. Nunca mais se separaram, viveram com intensidade aquele amor que parecia infinito. E foi, foi infinito, durante 2 anos, até ela falecer.
Passaram-se os anos, muitos anos. Ele não aceitou a sua morte, porque nos seus passeios pelo campo a reencontra em cada flor que desabrocha. Ela vive no seu coração e enquanto este bater, ele a sentirá consigo.
2 anos foram poucos anos para um amor tão grande? Não! responde com um olhar sereno e sorriso doce. Foram 2 anos vividos e sentidos com a intensidade de muitos mais e, depois antes amar e ser amado por 2 anos do que uma vida inteira sem conhecer o amor.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Um bater de asas

Foi uma asa apenas,
que na leveza do ar voou.
Mas no seu voar não deixou
nem um rasto de penas.

Foi simples rasgar do vento.
Passagem que ninguém viu.
Passagem que ninguém sentiu.
No breve passar do momento.

Olhando para o céu vazio
Tudo permanece igual.
Terá passado afinal,
ou de facto nem existiu?

Mas aquela folha caída,
sentiu o toque daquele voar.
Que cuidou dela ao passar
e a deixou em paz adormecida.

Post.it: Educação sexual nas escolas

Outro dia  numa conversa de café com umas amigas o tema de debate era a educação sexual nas escolas. A mãe duma menina pré-adolescente argumentava contra. As mães de rapazes em idade adolescente defendiam o  sim.  Segundo uma delas convinha sobretudo elucidar mais do que proibir. Logo a mãe da menina contrapunha discordante, considerando que mais do que esclarecer, aguçavam a curiosidade e pior, ainda lhes ofereciam  preservativos! Claro que para eles aquela oferta significa um convite à prática já que segundo estes já não corriam riscos.  Mantenho-me neutra, prefiro argumentar com a lógica e  a lei. Penso basicamente que é melhor praticar com conhecimento dos métodos do que os ignorar e praticar na mesma. Em termos legais: Aprovada a 11 de Agosto de 1999, a lei nº 120/99, Artigo 2º, vem permitir o enquadramento da Educação Sexual em meio escolar. Posteriormente a lei nº 60/2009 de 6 de Agosto estabelece que a Educação Sexual é a partir de então obrigatória desde o 1º ciclo até ao ensino secundário. A primeira visão com que se fica deste assunto  é   que a mensagem transmitida aos jovens é “usa o preservativo e diverte-te”. Enquanto  a Organização Mundial de Saúde apela ao modelo A-B-C ou seja “A” de (Abstinência), “B” de (Be faithful/ser fiel) e “C” de (Condom/preservativo).
Partilho agora convosco  o “susto” duma avó quando  a sua neta de 7 anos,  a informou que já sabia “como se fazia sexi” – informação puramente biológica, fornecida por uma prima de 8 anos que tinha assistido a uma aula de educação sexual na escola.
Sugiro   que se encontre o meio termo e ele está na família  a quem deveria caber o papel principal na abordagem e esclarecimento  sobre a sexualidade. Quanto à  escola, a esta deveria uma atitude de complementaridade. Porque uma boa educação sexual  permite aos  jovens obterem  um melhor enquadramento para tomarem as suas decisões, fazerem as suas escolhas e reconhecerem  as suas consequências. Para além de fomentar um claro discernimento dos seus valores, conhecimento e aceitação do corpo e da vida afectiva.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Aos que nunca nos deixam

Há pessoas que nos elevam
Como se tivessem asas
Que nos enchem de voz
Como se fossem eco.
Que nos tocam o coração
Como se o reconhecessem
Pessoas que nos deixam de herança
A mais bela lembrança
Há pessoas que são sempre
Chegada
E nunca nos deixam na partida…

Post.it: Teoria evolucionista

A teoria da evolução das espécies diz que nascemos no mar, que dele saímos e caminhámos na terra erguendo-nos e sustentando-nos em dois pés.
Somos portanto, filhos do mar, das ondas que nos embalaram, temos espírito de marés, de tempestades e de acalmia. Guardamos no historial genético uma afinidade que nos apela a um regresso constante. Sentimos o chamar desse mar e a ele respondemos num silêncio confessor. Enchemos os olhos de azul e de verde que se estende para lá do que a vista alcança. E então cresce no peito um desejo de infinito, de ir mais além. E num misto de navegadores e sonhadores partimos, porque somos incapazes de ficar e aceitar que nada mais existe para lá do nosso “Bojador”. Trémulos mas audazes, enchemos a mochila de sonhos por concretizar e seguimos ao encontro do nosso “Cabo da Boa Esperança”
Somos filhos do mar e temos desejos de amplitude. As partidas, são decisões, mudanças que temos de fazer na nossa vida. As viagens, são as ambições profissionais, relacionais e emocionais, que nos conduzem a outro cais temporário ou definitivo.
Somos filhos do mar, temos que continuamente  navegar.

Post.it: Continuar

A luz desta manhã, surpreendente de calor e aconchego, promete nova oportunidade e lembra que a um dia segue-se sempre outro, com novos problemas e desafios, com novas alegrias e esperanças, com novos caminhos e metas.
Continuar, procurar e arriscar confiar e sentir, apesar das feridas, das mágoas e dos medos, é a única forma de seguir e construir, é a única forma de viver, em vez de ir vivendo.
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quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Post.it: Será cedo?

Será cedo para falar de memórias dessas que nos fazem suspirar? Será cedo para falar desse rio que somos, das margens que nos moldaram o corpo e a alma? Será cedo para falar de estações, de longínquos verões, de invernos aquecidos em abraços perdidos? Será cedo para falar de recordações quando ainda estamos a construir o futuro?
Mas então qual será o momento certo para recordarmos, antes que a memória se torne um deserto?
Suponho que não exista o cedo ou o tarde, e que o instante seja esse em que o pensamento navega no horizonte do que já passou, para o tornar sorriso quando já foi lágrima, ferida que o tempo curou.
Sentimos por fim, que é bom lembrar essa vivências sem isso nos magoar e conseguimos trazer para o presente a leveza que tornará mais doce o futuro.

Recomeçar

Esta luz do amanhecer
é uma promessa de esperança
de outros caminhos a percorrer
com novo sentido e confiança.

Passo a passo se vai longe
procurando a felicidade
que às vezes parece que foge
duma nova oportunidade.

Mas é possível novo encontro
com outro olhar e outro coração
que nos oferecem novo porto
de onde partir noutra direcção.

Poderemos então recomeçar
com mais sentido e emoção
pois outros passos vão caminhar
e outro alguém nos dará a mão.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Como se fosse um perfume

O amor endoidece,
dizem todos com razão.
Quando ele nos enternece,
embalando-nos o coração.

O amor é um doce sorriso,
sorriso que nos desfalece.
Eleva-nos ao paraíso,
depois, quase nos esquece.

Quem ama sempre padece,
calando o seu queixume.
Quando o amor se desvanece,
como se fosse um perfume.

(poema inspirado num de Mário de Sá Carneiro)

Post.it: Presa na rede

Quem és tu por detrás do ecrã? Palavras, talvez verdades, talvez mentiras. Mas sempre e só palavras. De quando em vez um sorriso que se lê ou um sorriso que essa palavra induz. A cada palavra constrói-se um rosto, um corpo, uma alma. E de repente esse ecrã vazio passa a ter uma imagem, a tua imagem. Escrevem-se histórias em que o herói sobressai ou pinta-se um quadro de mágoas para amolecer corações. Ela corre para casa, para o computador. A luz do ecrã ilumina-se, aumenta a ansiedade, será que ele escreveu? Será que ele gosta de mim? Pergunta-se constantemente. Mas as palavras de cada e-mail dizem-lhe que sim.
Pela descrição ele é lindo, meigo, o homem perfeito para este solitário coração. Mas o e-mail não chegou e a decepção magoa. Não veio naquele dia nem no seguintes. A ansiedade aplacou, a dor aumentou. As amigas brincam com os seus sentimentos despedaçados. – O que esperavas, encontrar um príncipe na net? Olha,  dá-te por feliz por ter desaparecido podia ser pior, imagina se fosse um psicopata, um violador, se só quisesse o teu dinheiro?
Mas ela que leu as suas palavras, sabe bem quem ele era. Talvez tenha tido algum problema. Um dia há-de regressar com uma boa explicação.
Mas ele nunca voltou e ela ficou com a vida “presa” na rede/net.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Reencontrar o caminho

Que sabemos nós do caminho,
mais largo ou mais estreito.
Dessa espécie de quase ninho
que construímos dentro do peito.

Quando nele queremos abrigar
o despontar dum imenso carinho.
Que nos faz cá então encontrar,
a certeza desse nosso destino.

Então o ser vai como fonte,
expandindo o seu sentir.
Estende-se para lá do horizonte
cresce como um rio a fluir.

Que não se inquiete o teu olhar.
Que não se inquiete o teu coração
Quando o caminho te reencontrar,
e te detiver para sempre naquela mão.

domingo, 31 de outubro de 2010

Era uma vez: Amar nem sempre é fácil

Nessa manhã fora surpreendida. A sua turma do 9º ano entrara alvoraçada na aula.
Stora, a Sílvia foi-se embora!”
Nem teve tempo de perguntar porquê. As frases de indignação sucederam-se:
“Os pais descobriram que ela andava com a Joana!”
“E agora vão pô-la num colégio interno!”
“Nem a deixam vir mais à escola!”
“Nem podemos despedir-nos dela! A melhor aluna da turma!”
“A nossa delegada de turma!”
Deixou que a surpresa e indignação se acalmassem e, a pouco e pouco, se fossem transformando em diálogo e reflexão. Foi bom constatar que a maioria dos alunos já considerava natural este tipo de diferenças. Sinal de que a sociedade está a evoluir.
A pergunta que lhe fizeram foi certeira: “Se um dos seus filhos lhe dissesse que é gay, como é que a Stora ia reagir?”
Sentiu-se a voar no tempo até há uns anos atrás. O filho tinha-lhe dito que precisava de falar com ela. Adivinhou o que era - uma mãe sabe ler os sinais. Esses sinais tinham-lhe permitido preparar-se para essa conversa. Tivera tempo de se informar, de ultrapassar os seus preconceitos e de aceitar interiormente que o seu filho poderia ser diferente – nem melhor nem pior, apenas diferente do que é mais habitual. Por isso, fora capaz de o ouvir serenamente. Orgulhara-se da forma como começara: “Mãe, tenho de te dizer uma coisa, porque não quero ter de te esconder nada, não quero ter de mentir-te!” E, depois de o ouvir até ao fim só lhe ocorreu dizer isso mesmo: “Orgulho-me de ti, pela forma como tem sido filho, irmão, aluno. Orgulho-me da pessoa que és. O amor que sinto por ti não tem condições - amo-te como és. Só te peço que sejas coerente e verdadeiro e te mantenhas de espírito aberto, sem te condicionares a ti próprio. O que mais quero é que sejas feliz!”
Foi essa a ideia que passou aos alunos quando respondeu à pergunta que lhe fizeram, mas tentou que eles compreendessem que os pais da Sílvia pensavam estar a agir bem e, à sua maneira, estavam também a manifestar o seu amor pela filha.
Foi o Rui que acabou por dizer tudo: “É uma questão de mentalidade e as mentalidades custam muito a mudar, mas mudam! Pode levar muito tempo, mas acabam por mudar!

A primeira vez

Quando ele a conheceu,
desde logo algo aconteceu.                               
Porque a mais doce emoção
lhe invadiu o coração.
Todos os dias quando acordava,
Logo o seu pensamento voava,
ultrapassando a imensidão
à velocidade da paixão.
Por fim coragem arranjou,
E timidamente a convidou.
Mas nem queria acreditar
quando a ouviu aceitar.
Nesse dia ele tremia
de medo e de alegria.
Quando o beijo aconteceu,
sentiu que se iluminou o céu.
E nesse momento de magia
em que a emoção já não cabia
o amor então se fez,
pela primeira vez.
Quando a tarde adormecia,
cada coração ainda sorria.
O futuro por acontecer,
mas só importava esse viver.
De sentirem que se  amavam
E de que juntos sonhavam,
que seria eterna cada vez,
como na primeira vez.
Quando o amor teve que partir,
Quando para outro coração quis ir.
O passar do  tempo não desfez
A lembrança daquela, primeira vez...

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Sexta-feira

Na calçada um rio vai crescendo
por entre passos apressados.
Da chuva vão-se escondendo,
mas pelo vento são revelados.

Nesta quase brincadeira,
termina a manhã a correr.
Numa pálida sexta-feira,
com o sábado a aparecer.

Mas como demora a chegar
este final de semana.
As energias estão a acabar
e o conforto do sofá já me chama.

Post.it: O olhar


Os olhos são as janelas da alma. Mostram-nos a limpidez do sentir, ou a mágoa escondida por detrás das escuras pupilas. Num olhar que revela o que se quer manter secreto. Um olhar fugidio, que não nos olha de frente, fixa-se no chão ou perde-se para além da nossa presença. Um olhar feito de ausências, de pensamentos que esvoaçam na intranquilidade do sentir.De quando em vez, esse olhar pára no nosso como se fosse uma interrogação, mas volta a bater as asas e a seguir o rumo das incertezas. Cansado, o olhar esconde-se na segurança da pálpebras fechadas, relaxa e sonha que quando voltarem a abrir-se, uma nova realidade lhe será apresentada. O sol brilhará, a chuva terá partido e a sombra que lhe toldava a vista terá desaparecido dando lugar a uma nova luz. Então o olhar poderá confrontar-se com outro olhar e dizer-lhe no seu silêncio mais do que as palavras diriam.
Que finalmente está pronto a encarar a vida com os olhos bem abertos...

Luz, sempre!

Não importa o tempo!
Mesmo com nuvens ou chuva
o teu dia pode ser luminoso
se acenderes a luz dentro de ti!

O sol pode brilhar sempre!
Pensa em quem amas,
em quem te ama,
em quem precisa de ti,
em quem sabe estar presente
e te anima com a sua amizade!

A luz pode vir de fora
mas quase sempre nasce cá dentro!
Vem da energia que criamos
com os sentimentos positivos
e com a vontade de construir,
de amar e viver!

Deixa a luz brilhar,
sobrepor-se às nuvens, à chuva,
às pessoas, que teimam em apagá-la
ao dia-a-dia, ainda que monótono e difícil!

Mantém a luz acesa no coração
e deixa-a brilhar e aquecer
o teu dia e a tua vida.
Deixa brilhar a tua luz!

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quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Voando ao luar

Procurei-te na sombra solar.
Procurei-te em cada nuvem.
Por fim deixei-me planar,
neste cansaço de viagem.

Então o dia escureceu,
perdido no horizonte.
o meu voar entristeceu,
pousando num alto monte.

Inundou-me o luar,
aplacando a desilusão.
Por não te encontrar,
na minha eterna solidão.

Post.it: Carregando a vida


Habituamo-nos ao ritmo dos dias, ao passar dos meses, ao chegar dos anos. Habituamo-nos a ver todas as manhãs o nosso rosto, as rugas surgem entram de mansinho e nem nos apercebemos,  quando damos conta já elas fazem parte de nós. Tudo parece surgir naturalmente e sem sobressaltos, mas quando reencontramos pessoas que já não víamos há algum tempo, temos um choque, reconhecemos vagamente o rosto, o olhar, a voz, mas o tempo deixou-lhe marcas na sua passagem intranquila. A pele enrugada conta histórias que desconheço, a tez macilenta e o olhar cansado transmitem um enorme desalento.
À sua volta saltita uma  prole agitada, são cinco crianças com idades entre os 20 e os 2 anos. O mais novo pede colo e ela acede, calando a dor física e o cansaço. O marido caminha à sua frente, com ar de majestoso orgulho de macho latino, indiferente ao seu apelo de ajuda.
Paro  surpreendida, era a Paula, uma coleguinha dos primeiros anos de escola, lembro-me dela, era uma criança alegre, enérgica, saltitava pelo caminho como se o adivinhasse feliz para sempre. Mas não foi esse o seu destino, a vida desenhara-lhe outro percurso e marcara-lhe no rosto a dureza do seu trajecto.
Olhou-me, não me reconheceu, talvez o tempo também me tenha mudado.
Vejo-a partir, carregando o desânimo, esboçando um sorriso aos filhos, mas os olhos não mentem, sobre a dor que lhe marca a alma.
Recordo o que fomos, ainda ouço ecos dessa infância.
Entristece-me aquele olhar que perdeu a luminosidade, todos temos direito a mais, muito mais nesta vida feita de montanhas e planaltos.
Fico a vê-la desaparecer no meu horizonte visual e com o coração apertado num misto de saudade e tristeza pelo que fomos e pelo  nos tornámos, choro uma lágrima, a sua lágrima e ofereço-lhe um pensamento de esperança.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Post.it: Amizade

Somos a semente, o vento, a chuva e a terra onde fecundamos o sentimento de entrega e de partilha.
Somos a força que a ergue na fragilidade da sua haste. Somos a delicadeza que cuida de cada pétala magoada. Somos  o  sorriso que a faz germinar, somos o abraço que  faz  crescer. O  carinho  que  a torna  mais doce, o cuidado que a faz florescer.
E um dia quando as nossa folhas cederem às intempéries da  vida  e da  solidão, quando  precisarmos  dela, de a ver, de a sentir.
Ela vem, ela fica o tempo que for necessário. Ela encontra as palavras que curam as dores do coração. Ela  seca  as lágrimas, troca-as  por uma gargalhada para nos  fazer sorrir. É  por ela  que existimos e ela existe por nós.
Quem a encontrar, quem a conquistar, cuide dela, dessa  flor que se chama, AMIZADE.

As crianças

As crianças da nossa vida:
filhos, sobrinhos, netos, alunos…
muito pequenas ou maiorezinhas,
são seres que encantam
e tantas vezes nos cansam.
As vozinhas, as gargalhadas e os gritos,
dizem-nos que precisam de nós
que querem a nossa atenção,
mas também que as deixemos voar,
viajar na imaginação e com asas de fingir.

No seu crescer irrequieto,
são frágeis como canas ao vento.
Os nossos braços é que as seguram,
o nosso cuidado as sustenta
e o nosso amor as guia e educa.
E quando não estamos lá?
Quando nos distraímos e não cuidamos?
Quando nos esquecemos de educar?
Quando não podemos ou não sabemos amar?
Vão ao sabor do vento e até de tempestades.
Ou escondem-se e esquecem-se de crescer.
Ou calam-se e fartam-se de sofrer.
Ou gritam e partem e batem e choram.

São nossas, as crianças:
filhos, sobrinhos, netos, alunos…
futuro, nosso e da vida.
Esperam pelo nosso pão,
querem o nosso braço,
precisam da nossa atenção,
têm direito ao nosso amor.
São nossas, as crianças.
Quem mais pode cuidar delas?

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Beija-flor

Era feliz quando voava
Saltitante Beija-flor.
E em pleno voo sonhava
com castelos de amor.
O céu era o limite,
de quem vive de infinito.
E porque o desejo o permite
colhia o arco-íris mais bonito.
Para depositar naquela mão,
um tesouro sem preço.
Para a rainha do seu coração,
a quem tinha devoto apreço.
Mas a flor murchou
no final da estação.
E o romance terminou
quando partiu o verão.
Beija-flor resistiu
ao mais frio inverno.
Porque o amor que sentia
era no seu peito eterno.
Quando o sol despontou
Beija-flor voou para ver
A flor que sempre amou
novamente a florescer.

Uma história de esperança
Uma história exemplar.
Diz-nos que com perseverança
podemos o sonho alcançar.                                          

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segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Saudade

É fechar os olhos
e continuar a ver.
Os mesmos sonhos,
que queremos esquecer.

É chorar a sorrir,
é dizermo-nos que não.
É aprender a fingir,
que não sofre o coração.

É apagar do pensamento
a permanente lembrança.
É reescrever cada momento
com a tinta da esperança.

É o profundo conteúdo
duma história encantada.
Que nos preenche de tudo
e nos deixa sem nada.

Mas como mente a saudade
ao colorir com falsas cores.
Aquela realidade
de tão espinhosas flores.

Post.it: Saltar das cadeiras

 Olho para aquele olhar ingénuo e confuso. Perdido entre ordens e contra ordens, proibições e limitações. Incrédulo no seu silêncio de quem ainda não sabe questionar, lêem-se muitos porquês?
Porque não posso saltar nos sofás, desenhar nas paredes, espalhar bonecos sobre os móveis ou subir para as cadeiras?
A vossa realidade de adultos é confusa e restritiva da minha fantasia. Se olhassem o mundo pelos meus olhos veriam como os sofás se transformam em montanhas que os carrinhos têm de subir. Que as paredes ficam mais divertidas quando nelas desenho meninos e meninas a brincar num jardim com árvores e flores. Que os bonecos sobre os móveis são a minha reprodução de uma cidade desordenada. E como as cadeiras  podem ser divertidas como desporto radical para transpor obstáculos e saltar.
Olho para a limpidez daquele olhar e pergunto-me quando deixei de ser criança, na ingenuidade, na pureza, nos ideais, na fantasia e no acreditar.
Quando comecei a sentar-me nas cadeiras e perdi a coragem de saltar delas para conquistar os meus sonhos.


domingo, 24 de outubro de 2010

A fonte

É uma fonte que não seca,
nunca pára de jorrar
água cristalina e fresca
que parece murmurar.

E esse murmúrio constante
vai-se fazendo sabedoria,
quantas vezes inquietante
e outras tão cheia de fantasia.

Quem já bebeu dessa nascente
viu que a sede não se acalmou,
tornou-se ainda mais insistente
e o desejo de beber redobrou.

É uma fonte de água pura
que inquieta quem a prova.
gera vontade de procura
e cria ânsia de vida nova.

Estrela

Hei-de baptizar uma estrela,
O teu nome vou-lhe dar.
Para à noite ficar a vê-la
E na distância te encontrar.

Quando a tua alma viajante
Abrir asas e voar.
Ficará a estrela constante,
No firmamento a brilhar.

Hei-de contar-lhe a nossa história
E ela pacientemente irá escutar,
Cada fracasso, cada vitória
Ela saberá em mim serenar.

Hei-de falar-lhe dessas  águas
Que dos olhos em fonte caíram.
Hei-de contar-lhe as mágoas
Que do coração não partiram.

Com o olhar preso na estrela
Chamo o teu nome que a ela dei.
E nesses momentos à janela
Por  uns instantes  imaginei.

Que os  teus olhos de infinito
A estariam também a olhar.
Por  segundos  até acredito
Que quase te consigo tocar.



sábado, 23 de outubro de 2010

Post.it: Talvez um dia...

Talvez um dia, quando o teu olhar se encontrar com o meu, os nossos caminhos deixem de ser meramente paralelos. Talvez nesse dia o silêncio se encha de palavras. Talvez nesse dia te levantes desse banco do autocarro e te sentes a meu lado. Que farei? Não sei, talvez me encolha no meu ser com medo de que qualquer gesto te faça fugir. Talvez suspire para acalmar o correr descompassado do coração, será que ele o ouviria? Iria certamente rir-se de mim. E se me cumprimentar, o que vou responder? Um olá com a voz trémula. Como detesto a minha voz quando fico nervosa.
E como será a voz dele, suave e ainda de rapaz ou já será máscula e firme nos seus quase 16 anos?
Só sei que me agita, que me faz voar os pensamentos, que me faz correr para não perder o autocarro ou melhor para não perder a oportunidade de o ver todos os dias.
Mas será que ele me vê, a mim e às minhas borbulhas de adolescente. Que pensará sobre mim? Porque não toma a iniciativa de vir ter comigo, será tímido?
Levantou-se, o meu coração saltou dentro do peito, caminha na minha direcção, lança-me um olhar e, depois. Depois nada, sai na sua paragem habitual!
Contenho a decepção, talvez amanhã...

Eu olhei, eu vi, esta jovem de olhos inquietos, presos na ausência de outros.
Quem sabe um dia se vejam e sorriam tornando diferentes as suas viagens no autocarro 738

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

As amarras

Ainda existem as amarras,
Amarras de esperança.
O passar fatigado das horas,
o embalo da lembrança.

Essa folha que já foi flor.
Esse espaço que já  foi abraço.
Esse postal que já teve cor.
Na espera que se tornou cansaço.

Esta canoa não quer partir
pelas águas da solidão.
Ainda tem tanto onde ir,
segurando a tua mão.

Post-it: Um mero pormenor

Viajar de bus é sempre uma aventura, um dia destes ainda escrevo um livro com algumas histórias. Aqui vai uma.
Estava eu sentada ao lado de um jovem engraçado com um daqueles penteados que nunca entendi, com tranças com ar de palha quando este me pediu  permissão para sair, fiquei desiludida uma vez que ainda não havia chegado a nenhuma conclusão se o que ele usava era cabelo ou algum derivado.
No lugar deixado vago sentou-se uma madame, desde logo marcou lugar para si e para a sua mala, pequeno equídeo (não se pode fazer publicidade), que era pequeno apenas de nome porque o volume era considerável. Sentindo-me espremida arrisquei em ensaiar o meu melhor sorriso e disse-lhe:
- Desculpe o seu pequeno equídeo pagou bilhete?
Com um ar de surpresa a madame abriu mais os olhos. Apontei-lhe com o olhar a direcção da mala.
-Ah, desculpe está a incomodar?
Voltei a sorrir e disse-lhe:
- O meu jacaré também não pagou bilhete por isso o coloco no colo.
Deu uma gargalhada, sentia-se entre “tias” e portanto não levou a mal o reparo.
A questão dos bichinhos ficou  por fim  arrumada e lá prosseguimos viagem duma forma mais confortável.
Só me esqueci de lhe dizer que o meu jacaré era uma boa imitação comprada numa loja de chinês.
Enfim um mero pormenor, não é?