quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Post.it: Os que mudaram de direcção

“Tenho pena de um dia morrer” Disse-me uma grande amiga num tom saudosista. Estranhei a confissão, porque normalmente ouço desabafos de quem deseja partir, cansados que estão duma luta diária que lhes parece muitas vezes inglória. 
Não sei se o fazem por mero desabafo ou por acalentarem a vaga esperança de que essa partida possa significar uma verdadeira chegada a um mundo melhor. 
Quanto a mim, confesso, que este é um tema sobre o qual não tenho o hábito de me debruçar, não por medo do desconhecido, mas porque aprecio e vivo cada momento que vou conhecendo. No entanto dei por mim a pensar nos que partiram e no tanto que, na possibilidade de terem permanecido indefinidamente, poderiam ainda oferecer ao mundo. Grandes cientistas, escritores, pintores, músicos, humanistas, etc. 
Porém não posso deixar de sentir com nostalgia, outros que não tocando o universo, tocaram em cada um de nós. Não mudaram o rumo da história mundial, mas mudaram o rumo singular da nossa vida. 
Lembro-me deles em cada caminho que hoje percorro com a companhia da sua ausência, e procuro em cada detalhe de paisagem a lembrança do seu sorriso. Porque no fundo, eles nunca partiram, apenas mudaram de direcção.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Sabes que são para ti...

Sabes que são para ti,
Estas pétalas de rosa que vou deixando pelo caminho.
Sabes que são para ti,
As nuvens que desenho no azul do céu.
Sabes que são para ti,
Estas ondas que murmuram a doçura do teu nome.
Sabes que são para ti,
Todas as gotas de água que caem sobre este imenso rio.
Sabes que são para ti,
Todos os corações que desenho na areia da praia.
Sabes que são para ti,
Todos os meus sonhos e os despertares da tua ausência.
Sabes que são para ti,
Todos os meus passos perdidos sem a companhia dos teus.
Sabes que são para ti,
Não sabes? Claro que sabes.
Se não soubesses, não estarias aqui, a ler as palavras que, 
Sabes que são para ti…

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Post.it: Talvez um dia te canses de mim

Observa-a enquanto ela lhe serve o almoço. Observa-a no seu silêncio, cada vez mais profundo. Observa-lhe o olhar cada vez mais distante. 
Reflecte, questiona-a sem nada lhe dizer. Talvez saiba o que lhe vai na alma, ou apenas adivinha com medo de descobrir a verdade.
Talvez um dia te canses de mim. Das minhas palavras e dos meus silêncios. Das minhas mágoas, das minhas águas tão prontamente a quererem inundar os olhos. Talvez não consigas mais suportar as minhas ideias, a minha rabugice, as minhas dúvidas, a minha teimosia. Talvez te fatiguem os meus queixumes, o meu cansaço, o meu comodismo, os meus chinelos de quarto já tão gastos mas ainda tão confortáveis para o meu caminhar. 
Talvez já não consigas aguentar o meu ressonar, a minha desarrumação, ou a minha metódica organização, as minhas revistas acumuladas ao longo de anos. 
Talvez te fatiguem os meus cuidados contigo, os meus abraços sempre a querer abraçar-te, os meus sonhos, os meus planos quase sempre fracassados. 
Talvez não consigas ouvir mais a minha voz, a insistência do meu olhar, a minha constante presença e as muitas ausências.
Talvez te tenhas simplesmente cansado de mim. Nesse dia, não digas que vais partir, diz-me apenas que regressas mais tarde e eu aguardarei indefinidamente pelo teu regresso. Porque nunca me cansarei de esperar por ti.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Post.it: De que é feita a nossa idade

Não sei se a vida tem idade, ou se somos nós que a vamos somando através do calendário e do passar das horas. Através das rugas no rosto ou dos cabelos que vão branqueando.
 Não sei se a vida tem idade ou se somos nós que a vamos olhando em cada estação que fica para trás quando adquirimos a percepção de um passado que se dilata ou de um futuro que se encurta. A verdade é que algo vai mudando no nosso modo de olhar a vida, já não conseguimos absorver o mundo numa visão de conjunto, mas alcançamos cada vez mais a capacidade da sua apreensão em cada detalhe, apreciamos o pormenor daquela pequena flor que estava tão próxima de nós, revelando-nos a sua beleza, colorindo o nosso dia e que quase passávamos por ela sem notar a sua existência.
Já não desejamos conquistar ansiosas metas, mas deleitarmo-nos com a viagem sem preocupação de onde  ela termina. E então, uma serenidade invade-nos o peito que se deixa levar pela corrente do tempo sem o questionar, sem o deixar escoar em discussões banais, em guerras perdidas, em coisas que não fazem parte real da nossa vida. De repente, cansam-nos as coisas comezinhas, as mesquinhices, a mediocridade, o egoísmo e a imaturidade de quem tem idade mas não a sabe sentir. Já não gastamos o fôlego que nos resta com maratonas de frivolidades quando há tantos motivos para respirar maresias de paz.
Não sei se a vida tem idade ou se a conta pelas lágrimas já derramadas, pelas gargalhadas plantadas, pelo cansaço que o corpo manifesta quando a noite adormece. Não sei se a vida tem idade, ou se a somamos pelos bens materiais acumulados e que nos dão uma efémera sensação de êxito.
 Não sei se a vida tem idade, mas se tiver, que seja somada pela quantidade de amigos que nos vão acompanhando pelo caminho. Amigos novos e velhos amigos. Amigos que vão chegando e os que vão partindo. Amigos ricos e amigos pobres. Amigos sem tecto, amigos sem afecto.
Se a vida tem idade, que seja somada no peito, por todos os beijos e abraços trocados, por todo o carinho sentido e a generosidade partilhada e então, diria com verdadeira felicidade, que se a vida tem uma idade assim somada,  eu sou imensamente velha…

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Depende de ti

Sabes quem eu sou?                      Sabes o que te dou?
Talvez alguém especial.                  Talvez seja muito,
Ou alguém sem importância.         Ou seja pouco,
Depende de ti,                                   Depende de ti.
De como me sentires.                     Se me quiseres guardar.
Sabes onde estou?                          Sou, o que quiseres.
Talvez em nenhum lugar.                Estou, onde estiveres.
Ou num lugar especial.                    Vou, se comigo vieres.
Depende de ti,                                   Dou, o que me deres.
De onde me quiseres abrigar.       A escolha depende de ti
Para onde vou?                                 Chama-me pensamento,
Talvez para o paraíso.                      Chama-me ilusão,
 Ou para o abismo.                           Chama-me lamento.
Depende de ti.                                   Chama-me e serei,
Para onde me quiseres levar.        O bater do teu coração.

 

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Post-it: A invenção da vida

Se o mundo fosse uma máquina gigantesca e nós uma peça dessa engrenagem. Não uma mera peça, mas aquela que conjuntamente com as outras faz todo o mecanismo funcionar no ritmo certo, para que se cumpra a sua missão. Não importa saber qual é essa missão, basta-nos saber que a cumprimos no dia-a-dia e que mantemos a coesão de todos os elementos que a compõem. Que somos causa e consequência participante dessa vasta dimensão de vidas da qual fazemos parte. Somos uma peça, sem pretensão de sermos a principal, de sermos a fundamental, porque nenhuma o é. Somos aquela peça que encaixa no sítio certo, porque esse é o seu lugar.
 Em alguns momentos da vida, temos a sensação de que somos peças sobresselentes, que vimos ocupar um lugar que entretanto ficou vazio por outra peça que  abandonou a sua função ou que se partiu. E nós somos a peça que a substitui e coloca um fim na pequena ou grande “avaria” causada por aquela ausência. Que nos cabe o papel de “arranjar” um “coração partido”. Mas, mais tarde ou mais cedo, adquirimos consciência, que não é essa a nossa missão. Descobrimos que podemos ajudar a erguer, mas não podemos fazer com que funcione como funcionava anteriormente. Porque somos uma peça com características diferentes e merecemos ser reconhecidas e respeitadas na nossa especificidade. Cabe a cada vida encontrar a sua consonância de funcionamento. A recuperação harmoniosa do seu mecanismo, não há peças sobresselentes que venham ocupar o lugar deixado vago, na verdade, não lhe falta peça alguma, embora possa sentir nesse momento, um lugar vazio dentro de si. Não está avariado ou partido, mesmo que os sintomas lhe deixem essa impressão. São indicações de que o sentir se encontra desacertado da sua função, da sua importância individual e colectiva. Não se pode substituir um coração partido, pode-se cuidar dele, aconchegá-lo, incentivá-lo, abraçá-lo e depois, escutar pouco a pouco o seu tic tac que encontrou o cadência certa e que está pronto para seguir em frente na sua função de ser feliz no grande mecanismo que é a vida.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Post.it: O sol dum sorriso

Há dias assim, em que tudo parece estar contra nós. Em que as coisas nos voam literalmente das mãos e estatelam-se no chão. Em que temos um trabalho para acabar mas o computador não obedece às nossas ordens. Em que o café resolve saltar para cima da nossa camisola deixando-nos uma recordação visível para todo o dia. E como problema atrai problema, o chefe informa-nos uma hora antes que vamos ter uma reunião na outra ponta da cidade e pede-nos a elaboração de um relatório para ser apresentado.
Há dias assim em que tudo nos parece um caos. Se formos pessimistas facilmente nos deixamos enlear nessa rede caótica de acontecimentos. Porém, essa não é a minha onda. E lá vou contrariando a tendência, falando com os meus pensamentos “Não me vou dar por vencida”.
Por fim, parece que as coisas entram nos eixos, suspiro, paro no semáforo, olho o relógio pela milionésima vez, divago o olhar numa visão panorâmica que nada absorve. Vou acalmando, relaxando, aproximando a perspectiva, à minha frente atravessa uma senhora já idosa, caminha devagar, ergue a mão, podia ser um aceno, um cumprimento, mas sinto que me pede desculpa pela lentidão dos seus passos. De repente tenho a necessidade de lhe sorrir, não para a cumprimentar, mas para lhe pedir desculpa pela minha pressa de seguir em frente sem reparar na sua presença.
Começo a pensar nas lições de vida que cada pessoa nos dá, quando nos permitimos aprender. Quando paramos para sentir. Porque assoberbados com a rotina, não temos tempo para sorrir para outra vida que por um instante se cruza com a nossa.
Estamos na semana do Carnaval, não sou grande fã desta festa, mas gostaria de lhe dar algum sentido. Não me vou disfarçar do que não sou: Princesa, Fada, Super-herói. Vou desenhar no rosto um sorriso. Não importa se por detrás desse sorriso esteja ou não alguma tristeza. “O sorriso é para a humanidade o que o sol é para as flores”. Vou sorrir, porque um sorriso diz muitas palavras gentis. Porque um sorriso contém muitos gestos de ternura.
Desafio-vos a fazer o mesmo, a sorrir, nem que seja no breve momento em que esperam que o sinal luminoso passe de encarnado a verde. “Um sorriso enriquece quem o recebe sem empobrecer quem o dá”.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Post.it: Make a wish

Hoje, enquanto vinha no caminho, ouvi no rádio uma reportagem sobre uma empresa que realiza desejos de crianças com graves doenças. Senti-me solidária com a iniciativa, emocionei-me com a simplicidade e ao mesmo tempo a dificuldade de se concretizarem alguns sonhos e desejos.
Todos nós tivemos os nossos desejos. Todos nós temos os nossos sonhos. Concretizamos alguns, mas nos caminhos da vida, perdemos muitos outros. Demasiados, sentimos, quando olhamos para trás e os vemos espalhados ao longo da estrada, abandonados pelo horizonte, roubados pela realidade que nos torna mais amargos ou em linguagem de “crescidos”, mais racionais.
Lembro-me dos desejos da minha infância, queria ter como animais de estimação, um pinguim e uma foca. Acho que já naquele tempo, demonstrava alguma propensão para reconciliar o irreconciliável. A minha mãe desesperava-se com o meu insistente pedido. E eu, oferecia-lhe o meu sorriso inocente e explicava-lhe o lado positivo da questão, “já tens sorte de eu não te pedir um elefante”. No final, esqueci o pinguim e a foca e recebi de braços abertos um cachorro que se aninhou no meu colo.
Continuo a adorar pinguins e focas. Continuo a ter sonhos, desejos por realizar. Alguns muito difíceis de alcançar, talvez mesmo impossíveis, outros que vou conquistando, pouco a pouco em cada dia, em cada ano que passa, outros ainda, que, embora simples estendem-se para lá de mim e deixam de me pertencer. Sonhos que são teus, ofereço-tos…
Serão meus, se um dia me devolveres a esperança de os concretizar…

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

............................. Se existir amor ..........................

                                                    
Talvez um dia o silêncio se coloque entre nós.

Mas se existir Amor será trocado por muitas palavras.

Talvez o destino nos conduza em diferentes direcções,

Mas se existir Amor, um dia nos voltaremos a encontrar.

Talvez a memória nos faça esquecer,

Mas se existir Amor, o coração lembrar-se-á de nós.

Talvez alguma discórdia acabe com tudo,

Mas se existir Amor reencontraremos a harmonia.

Talvez o passar do tempo nos desgaste o sentir,

Mas se existir Amor, ele aprofundar-se-á cada vez mais.


quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Post.it: Resposta do Cupido

Bati na tua porta, não me deixaste  entrar. Espreitei pela janela, mas  estava fechada.
Enviei-te uma flor, deixaste-a  murchar. Convidei-te para voar, preferiste  a terra firme.
Atravessei  o  longo  rio  para   estar  contigo.  Não  me  vieste   receber  na  chegada.
Tentei falar-te ao coração, não me  quiseste ouvir. Estendi os braços para te abraçar.
Deixaste-me  o  abraço  vazio.  Pedi  ao  sol  para  te iluminar. Preferiste a  escuridão.
Desenhei  no  céu  o  teu  nome. Nem  o  quiseste  olhar.  Até tentei modernizar-me e 
utilizar   todos  os  meios  de  comunicação.  Mas   nenhuma  mensagem  te  tocou  a
 emoção. 
Culpas-me  de  não  enviar  a seta certeira? Acusas-me  de não te escolher um amor
 perfeito? Não sabes o quanto tenho tentado, as setas que lancei para o teu coração.
 Mas   ele  parece   desviar-se  do  caminho.  Porque  de  tanto procurar, talvez deixes 
sem ver, o amor passar…

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Post.it: A pontaria do Cupido

Há por aí muitos corações desencontrados, mal cuidados. Entristecidos, de amor magoados. Em busca de si nos outros. Em busca dos outros em si. 
Este poderia ser o inicio duma triste história de amor ou da falta dele. Mas não cedo à tentação de a escrever. Prefiro analisar as causas sem me preocupar com as consequências. Numa primeira conclusão, diria que tudo não passa de uma dificuldade oftalmológica que afecta o desempenho do Cupido. Por outro lado também podemos ser levados a pensar, porque a experiência já o tem mostrado: que o pequeno deus, nunca erra, que tem um propósito, enviando a seta de uma forma errada para chegar ao local certo. Mas observando pela lógica da questão, também se pode argumentar que, é o claro resultado de se colocar um arco e flecha nas mãos de uma criança, e não me venham justificar que é um deus, porque o Cupido é e será sempre uma eterna criança.
Mas esta questão pode ter outro prisma, aqueles que nos esquecemos de apreciar, imbuídos duma história mitológica, quem sabe mal interpretada.
Talvez o pequeno Cupido, mal tratado e incompreendido seja enfim reconhecido na sua missão, não como o unificador de almas gémeas mas como aquele que lança uma seta de ouro para transformar em verdadeiros tesouros os corações atingidos.
E nesse caso, garanto que tem pontaria certeira. Conheço um desses corações. E neste seu dia de aniversário, dou-lhe os parabéns e um agradecimento ao Cupido pela certeira escolha. Pelo envio dessa seta que nos permite conhecer e partilhar a vida com corações de ouro.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Post.it: Isto é amor

Ouve o seu respirar e sossega-se-lhe o coração dentro do peito. Aconchega o seu corpo no dele e pensa, “isto é amor”.
Este passar do tempo, este estar aqui e não desejar ir para outro lugar. Este despertar na sua companhia, mesmo que o depois já não tenha muitos gestos de carinho, muitas palavras de afecto. Mesmo que ele fique na rua quase todo o dia, sabe que regressa, que a olha nos olhos e lê nesse olhar um encontro quase feliz. Porque ainda sabe a ternura a sua voz, cheira a reconforto o seu calor.
Mesmo quando ele adormece no sofá em frente ao televisor, embala-se-lhe a alma na cadência do seu respirar e o seu pensamento volta a afirmar. “Isto é amor”. A forma como o sente em si, como se sente nele. E faz dos dias um sereno amanhecer, neste rio onde navega a vida, para onde vai? Para lugar algum, porque está onde quer estar, chegou onde queria chegar. Vive como quer viver, com ele. E confirma. “Isto é amor”.
Ela ampara-lhe os movimentos, ele ampara-lhe o caminhar. Curam as dores do tempo vivido com a paciência que os anos lhes oferecem. Por vezes, sentem uma nostalgia a sair-lhes dos olhos, ela chora, ele sorri, enquanto as recordações construídas por ambos vêem como se fossem filhos a visitar-lhes a alma e a deixar-lhes no peito, não só saudades, mas a felicidade de as terem vivido juntos.
Por vezes falam da “viagem” como ele gosta de lhe chamar. Diz que reservou dois bilhetes, para que nenhum deles parta ou fique sozinho. Sorriem, entrelaçam as mãos e sentem, que realmente, “isto é Amor”.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Post.it: 101 anos de solidão

Observo-lhe as mãos aconchegadas sobre o colo. Imagino-lhe carícias repartidas, mas o seu olhar melancólico, nega-me esta conclusão e responde-me num sorriso já livre de mágoas…  “Se tu conhecesses os meus 101 anos de solidão…”
 Não conheço o seu passado mas consigo concebe-lo através das suas palavras e dos seus silêncios…
“Por todas as primaveras que nunca chegaram a florir. Por todos os invernos sem o calor dum abraço. Por todos os caminhos percorridos sempre com a presença única dos meus passos. Por todas as noites em que tive por exclusiva companhia as estrelas a luzir na imensidão do céu. Por todos os despertares em que só a voz que chamava por mim era a do locutor da rádio. Por todas as emoções que guardei para te oferecer. Por todas as palavras que me murcharam no peito sem ter a quem as presentear. Por todas as ondas que me embalaram a espera desse navio de esperança que não vinha acostar no meu cais.
 Não, não me ofereçam esse lampejo de pena, claro que amei, nuvens que continuamente partiam. Claro que fui amada como uma princesa no seu castelo de areia cujas vagas de mar desfizeram.
Mas o tempo passa e, na sua viagem por caminhos que nem sempre foram aqueles que desejaria seguir deixou-me repleta de ausências.
Hoje, neste encontro comigo, descubro por fim que, o amor, não és tu. Que o amor sou eu, terra e semente a desabrochar, a florir. Descubro-me no prazer da minha companhia, nas minhas tristezas e alegrias. Nos meus sonhos, nas minhas concretizações e fracassos.
Encontro-me na harmonia dos meus passos, enquanto vou saboreando o caminho na firmeza, na certeza do rumo. Já não me procuro em ti porque finalmente, depois de todos os anos de solidão que me deixaste, encontrei-me. Descobri-me na minha paz, na minha felicidade, já sem a tua saudade”.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Post.it: Verdade oculta

Vejo-te, sinto-te, para além do que és, do que revelas. Por mais que te pintes com cores de inverno, vejo o sol no teu olhar. Por mais que dances na chuva, sei que também choras com ela. 
Por mais que te debruces nos precipícios da vida, sei que desejas a segurança de um abraço. Por mais que viajes para te sentires livre, sei que desejas a prisão perpétua do amor. Por isso, regressas e sonhas que te roubam o fôlego no voar da paixão. 
Já é tempo de rasgares esse véu de nevoeiro, de sair da noite, de mergulhar no dia. Deixa o sol brilhar no teu rosto. Ele não te vai queimar, apenas aquecer, apenas aconchegar. 
E se um dia tiveres essa coragem, se reconheceres que a felicidade é uma questão de atitude, diz-me sem medo que és apenas um ser humano em busca de si. 
Se no entanto sentires que te perdes sem encontrar o caminho, olha nos meus olhos e verás no seu reflexo a verdade que ocultas dos teus.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Post.it: Quando a vida nos esculpe o coração

Por vezes não vemos as coisas porque não estamos preparados para elas. Já vos aconteceu reler um livro com um intervalo de alguns anos? Não o sentiram de uma forma diferente? Ou de voltar a ver um filme e verificar pormenores que antes não tinham encontrado? 
Muitos dirão que é um estado de espírito ou apenas de atenção, mas sejamos sinceros, a verdade é que crescemos e a nossa avaliação sobre a vida, sobre os sentimentos cresceu igualmente, amadureceu. Esculpiu em nós, novos contornos. 
Para uns, suavizou a personalidade, conferiu-lhe uma beleza muito própria. Para outros agudizou e tornou mais profundas as marcas de amargura. Tudo depende do barro com que fomos feitos, da argila que nos compõe, da rocha de onde viemos. Da conjugação de mãos que lhe deram os primeiros traços. Do molde, do calor, do carinho com que foi amassado. 
Até ao dia, aquele em que nos reencontramos no outro, em que as formas se encaixam, nem sempre com a mesma facilidade que desejaríamos. 
Por vezes é necessário limar arestas para que o coração fique confortável nesse molde. Não podemos esperar que isso aconteça de imediato, ou com a primeira pessoa que nos desperta a alma. Talvez nem com a segunda. 
Mas certamente acontecerá, um dia, quando estivermos preparados para que aconteça. Quando deixarmos de idealizar amores-perfeitos, de desenharmos nos sonhos os nossos Adónis ou Vénus e verificarmos que a felicidade pode encaixar-se perfeitamente num ser humano que nos completa e nos torna realmente, um conjunto perfeito.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Post.it: Do outro lado da lua

É difícil perceber quem se esconde, quem se nega a viver o que a vida lhe oferece. Que caminham por entre jardins e não vêm as flores. Que pisam o areal e não vêm o mar. Que seguem por vales e não vêm as montanhas. Que olham os rios sem verem a carícia das margens. Que têm um céu estrelado mas escolhem a escuridão. Que trancam as portas, que fecham as janelas com medo que a felicidade entre por elas. Não por  se negarem a ser felizes, mas por receio  do seu final, sem saberem se ele virá. Porque já lhe adivinham a história, que não conquistou a vitória. Porque o coração já conheceu demasiados fracassos. Mas se a primavera renasce depois do frio inverno. Se a frágil onda insiste em beijar a rocha até que esta se molde ao seu beijo. Se depois da tempestade o sol volta a brilhar, porque não espreitas um dia o lado iluminado da lua, quem sabe nele encontres uma razão para ficar. Quem sabe deixas de recear o final, e vives plenamente o inicio… 

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Post.it: Nada sei...

Quero partilhar contigo o meu maior segredo, aquele que me atormenta os dias, que me impede o descanso das noites, que me desperta nas madrugadas, que me faz hesitar no escolher do caminho. 
Um segredo que cresce comigo, que ganha espaço no meu sentir, que cria impasses nos meus passos, que me faz adiar os abraços, que me paralisa a alma, que me inunda de dúvidas, que me rouba todas as certezas, que me faz sorrir e chorar. 
Preciso de o contar, de o revelar, de o ouvir sair da minha voz, de o libertar, quem sabe assim liberto-me dele também. Desculpa a demora, o rodear da questão, não é fácil assumir, de sair para a rua e o gritar a plenos pulmões. 
Pensei que tudo isto acabaria por mudar com o tempo. Porque ensinaram-me que crescer é aprender, conclui que um dia deteria todas as verdades e, no entanto, confesso o meu fracasso nesse processo e revelo-te abertamente, dolorosamente, o meu segredo. Aquele que neguei possuir, aquele que fingi nunca existir, porque finalmente entendi que a minha única certeza, a minha única verdade, aquela que provavelmente me vai acompanhar por toda a  existência, é saber, é reconhecer, que depois do que já vivi, depois de tudo o  que já aprendi, na realidade,  Nada sei!

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Post.it: Encontro marcado

Ela marcou um encontro, com o passado num futuro talvez longínquo. Marcou um lugar, na curva do rio. Marcou uma hora, na sombra do luar, onde o sol ainda espreita mas  já parte com pena de partir. Mas deixa uma missão à lua. – Depois conta-me o que aconteceu. Quem veio, como foi o reencontro, quanto tempo durou o abraço, se aconteceu o beijo, se houve lágrimas de saudade, se se ouviu um suspiro de espanto.
- E que espanto esperas? Pergunta a lua. - E que abraço pode acontecer? Que beijo poderá suceder? Talvez lágrimas, suponho que sim…
- Porquê essa descrença, esse luar de nostalgia? Questiona o sol ainda sorrindo.
- Porque o tempo, meu bom amigo, tudo cura, mas também é adverso ao coração.
- Não acreditas que o amor pode perdurar no tempo e na distância?
- Acredito, se ele for cuidado como um jardim, se ele for regado para não perecer a flor.
O sol desaparece no horizonte, deixa no ar o silêncio. Uma resposta que fica no ar, porque só ele conhece a grandiosidade que cabe em cada coração que a vida separou, mas quem sabe o destino volte a unir. Ele não é descrente como a lua, ele acredita que o sonho acontece, no momento certo, no lugar preciso.
Ela marcou um encontro, não sabe se ele virá, se a abraçará, se lhe dará o  beijo esperado. Não sabe se ainda terá  lágrimas para chorar a saudade, mas sabe que haverá espanto. Porque a vida deixa em cada um de nós a marca dos seus escritos nas linhas do nosso corpo.  Acredita contudo que aos seus olhos a  beleza dele ficará eternamente jovem, encantadoramente imaculada. Mas o maior espanto será, se ele vier ao encontro marcado e trouxer consigo um sorriso de sol para iluminar a hora em que cresce a sombra do luar.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Post.it: Saudades desta cidade

Tenho saudades, não do passado, não do presente, nem do futuro. Mas de um tempo onde nunca vivi. Onde nunca viverei. Um tempo que não me pertencendo, sinto como se fosse meu. Quando caminho por esta cidade que me viu crescer. Por esta cidade que vejo entristecida, envelhecida. E em cada canto, em cada beco e viela, uma ombreira descai, uma coluna cede ao abandono, uma porta fecha-se, e os vidros das janelas são substituídos por tijolos. Edifícios majestosos, emudecem a sua história. Verdadeiras obras de arte arquitectónica, perdem pedaços da sua traça original. Casas de olhos tristes que ainda olham na direcção do rio, como se quisessem partir, ou receber a chegada, de quem delas cuide, para recuperarem o seu orgulhoso esplendor. O Tejo devolve-lhes o olhar, oferece-lhes um sorriso companheiro, de quem já passou lado a lado semelhantes agruras mas também muitas histórias de ventura. E como companheiros cheios de amor, não reparam nas marcas do tempo desenhadas na sua fachada, nas suas cores quase apagadas. Porque o coração, esse, não envelhece, não perde a beleza que o edificou, que o manteve lar de famílias, destino de navegadores.
Invejo-lhes esse namoro, essa lealdade. E tenho saudades do tempo em que eram jovens e acreditavam que o seu futuro seria radiante. Que a sua construção seria um projecto de eternidade. Que iam cuidar de vidas, nascidas e criadas no aconchego daquelas paredes, e que essas vidas retribuiriam, curando cada ferida aberta pelo rigor frio e chuvoso dos invernos, pelo sol ardente dos verões, intempéries dos dias tão cheios de poluição, barulho e sobretudo de indiferença. Só o rio, lhe retribui o olhar, só o rio sabe o que cada edifício desta cidade sente. Eu oculto o meu olhar, envergonhado pela incapacidade de lhe mudar o destino e mergulho na minha saudade dum tempo que nunca vivi.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Post.it: Eu apenas eu

Eu apenas eu e a minha herança genética, uma mistura de cultural, social e uns pós de inspiração. Fui crescendo, entre esfoladelas nos joelhos e nódoas negras na alma. Quedas dum existir, que logo a vida se encarregava de erguer e curar as feridas. Eu apenas eu, caminhando e aprendendo com o caminho, deixando as minhas marcas na areia de uma praia deserta.
Mas tu surgiste nela, engrandeceste a minha parca existência. Encheste-a dos teus sonhos, preencheste-a com as tuas gargalhadas, mas também com as tuas lágrimas.
E assim, eu que era apenas eu, passei a ser tu e todos os outros que ampliaram os meus horizontes.
Que aumentaram os meus objectivos. Que dilataram a minha visão do humano. Que  me acrescentaram carinho. Que me rechearam dos seus encantos. Que me completaram. Hoje quando caminho, eu já não sou mais eu, sou uma multiplicidade de pegadas, onde as minhas se perdem e se encontram em muitas outras. As que caminham a meu lado para me amparar, as que já estão de volta para me dizerem como é o lugar para onde vou, as que vão à minha frente para tornar mais fácil o meu caminho.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Só tenho o sonhar

Que importa se o amanhã,
Forem as lágrimas de um mar.
Quando a esperança mesmo vã
No hoje me faz tão longe voar.

Que importa se o sorriso
For uma leve brisa fugaz.
Só dessa brisa preciso,
Se nela encontrar a paz.

E se for somente um esboço,
Criado por laivos de fantasia?
Sinto que podia ser um poço,
Porque feliz nele mergulharia.

Para ter o terno prazer,
De encontrar no seu olhar.
O reflexo do meu a nascer,
E para sempre aí morar.

Na pobreza do meu viver,
Na solidão do meu amar.
Sem nada para lhe oferecer,
Oferecia-lhe o meu sonhar.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Post.it: Brumas da memória

Somos feitos de histórias, umas melhores do que as outras. Diferentes nos momentos, nas personagens, na história que contam. Mas são parte de nós. Compõem-nos, dão-nos traços de riso ou de lágrimas. Iluminam o nosso olhar ou roubam-nos essa luminosidade.
Contas-me uma história, a tua, confessas-me um pouco mais de ti. Revelas -me como foi viver uma dessas histórias, talvez, não a mais feliz, talvez, inclusive, não seja a história que a memória deseje visitar quando a saudade se torna um rio, por onde velejam os barcos dos nossos ensejos.
Mas o tempo, esse sábio curador, atenua e adoça a mácula das horas, que desejaríamos, tivessem encerrado outro sentido. Mas é a história da vida. Não é mais uma, é apenas aquela que deixou atrás de si um rasto de nostalgia no horizonte da sua existência.
 Podia dizer que se arrependeu de a viver, mas não é verdade, admite sem embaraço, porque como escreveu F. Pessoa “Tudo vale a pena quando a alma não é pequena”. E a alma é grande, porque nela cabe tudo o que já foi, tudo o que é e tudo o que será. Não se arrepende, até agradece a cada memória, o despertar das mais belas emoções. Tal como agradece a cada pessoa que já saiu do seu caminho e a cada pessoa que nele permanece, a história que lhe permitiu viver e recordar, crescer em maturidade e dilatar o sentir do coração, enquanto a bruma do esquecimento a vem docemente envolver no seu manto de paz. 

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Post.it: Escrever o caminho

“Vive a vida na ânsia de um cavalo cansado, cansado, mas não derrotado”. Que continua sem desistir, talvez já não corra, talvez apenas trote, caminhe de passos lentos, trôpegos até. Mas quando se tem um objectivo superior,  as forças renascem, o ânimo reacende-se.
E não importa a soma dos anos, nem a neve que se instalou nos seus cabelos.
Escreve, regista cada momento, no diário de memórias, antes que o tempo as roube. Escreve, mesmo que a mão trema, continua firme o coração. Escreve para encontrar um caminho que o leve à meta, conhece-a, ou melhor, adivinha onde ela está. Já tentou seguir por atalhos, numa escrita ténue de sentimentos e suave de emoções. Um a escrita que tocou  uns, que passou ao de leve por outros e ao lado de muitos.
 Mas agora, agora que o fôlego lhe vai faltando, escreve com coragem, com a última réstia de alento. Escreve desejos que já não se escondem, que se assumem reais. Não podemos adiar a vontade, quando esta dita o ensejo, o destino. Mesmo que ele não se cumpra. Que fique aquém do nosso empenho.
Escreve, porque a voz o trai, por timidez ou inibição. Escreve, porque sempre encontrou nas letras a amizade leal que só elas podem oferecer.
No final da tarde, pousa a mão cansada da missão. Pousa os pensamentos. Descansa os desejos. Saboreia cada frase, respira cada palavra e sorri. A obra não está perfeita, mas está igual a si, humana, palpitante de vida. Numa escrita que o eterniza tanto tempo quanto o permitir o papel folhado por muitas mãos que nunca o conheceram como homem, apenas com autor daquele livro de capa bonita que fica bem em qualquer estante e quem sabe em qualquer coração que o leia, ofereça, partilhe e o leve tão longe como o sonhar de quem o escreveu.
A mão continua pousada, incapaz de escrever a palavra fim, porque nenhum livro tem um final definitivo, cabe a cada leitor acabá-lo. Enquanto ele, autor, descansa a pena e adormece ao mesmo tempo que o sol se põe no horizonte.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Post.it: O que nos liga

O que nos liga é esta última gota de orvalho esquecida na madrugada. O que nos liga é este céu, este dia, talvez esta hora. No momento em que o pensamento se reconcilia com as lembranças e dói no peito uma nova dor.
Passam-se dias, meses e a dor instala-se como se tivesse encontrado um lar. Sufoca-nos, rouba-nos o alento. Escurece o sol, entristece as flores, o tempo sem energia, arrasta-se como se carregasse às costas cada hora, cada minuto, cada segundo que demora a passar.
Alteram-se os sons, emudecem as vozes, até Chopin muda de tom, num tilintar copioso, que não é chuva, mas notas de um chorar dentro da alma.
Há palavras a quererem sair mas já sem nada para dizerem, quedam-se silenciosas em respeitosa contemplação.
 Os olhos escondem-se num fechar de pálpebras, que já não querem ver a paisagem, como se o horizonte fosse apenas um vazio de imagens sem emoção.
Por fim, liberta-se um suspiro há muito sufocado no coração. Um suspiro que se eterniza em busca dum eco que lhe corresponda. E a dor... a dor ganha um nome, o teu, saudade.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Post.it: Produtos gourmet

Na vida já experimentámos várias situações, já atingimos um patamar superior, aquele que nos permite ter bom senso para escolher, para avaliar. É uma sensação impar, uma sensação de poder. 
Finalmente podemos optar e dizer, não e, esse não, ser tido em conta. Conquistámos o nosso lugar social e familiar. Agora queremos apenas o melhor, nada menos que isso. O melhor da vida, longe da ansiedade, da dúvida, dos receios de fracasso. Longe da apreensão de não sermos aceites, de sermos avaliados. 
Conscientes de quem somos, do que crescemos, descobrimos que já não é preciso esconder ou fingir uma força que não temos. Aceitamos que somos apenas seres humanos. Redescobrimos o valor da amizade, os amores vêm e vão como ondas na maré, mas os amigos, esses permanecem como um reduto de segurança. Uma amizade que nos permite ser a intrínseca  verdade, conquistada a pulso, numa luta contra gigantes que descobrimos afinal, que apenas estavam em nós. E que essas pequenas fraquezas e vulnerabilidades fazem parte do  nosso “charme”. Partilhamo-las com orgulho delas e com grande surpresa,  encontramos idênticos sentimentos no nosso núcleo de amizade. Agora sim, estamos mais íntimos, mais solidários, mais amigos. E no final desse encontro sentimo-nos mais enriquecidos. Claro que a paixão ainda paira de quando em vez nos nossos pensamentos, ainda nos agita o coração, esse fascínio que faz milagres à pele, ao olhar, à auto-estima. Mas temos consciência que é um pouco como um gelado, cujo sabor já conhecemos, sabe bem, mas não preenche e como tal comemos mais, desejamos mais, quando damos conta estamos uma "baleia" solitária, porque a paixão, essa,  já partiu e, nós acabamos no melhor dos casos num qualquer spa, numa dieta drástica ou num vale de lágrimas. 
Os gourmets da vida já não sentem atracção por “gelado”, ou pelo menos já os escolhemos com mais requinte, com mais calma. Apreciamos a qualidade, informamo-nos dos elementos que o compõem, verificamos as calorias, se é duradouro ou fugaz. Não há garantias, nunca houve. Mas há a tranquilidade de se saber o que se quer e  que finalmente, merecemos produtos gourmets.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Post.it: Na sombra dos dias

Um adeus, um recomeço, um gesto adiado, um passo parado. Uma espera de tudo, uma espera de nada. Uma pergunta calada. Uma resposta nunca dada. Eis a sua história, sem presente, sem passado e mais ainda supõe, sem futuro. Causas, culpas, não existem. Apenas uma espera cansada de esperar. Que tudo aconteça, que se abra a porta, que alguém bata na janela. Quem? Questiona o coração. “A esperança”. De quê? Menciona a dúvida. “De encontrar a felicidade”. Mesmo que não tenha nome, que surja num rosto desfocado pelo desvanecer da memória.
Mas enquanto há vida, há esperança, repete de sorriso triste, quem já não tem motivos para sorrir. De quem viveu uma vida a esperar, por algo que tardou tanto, que cada vez mais acredita que nunca chegará esse alguém que lhe afague os últimos cabelos brancos e, que lhe encha de sol o olhar já entardecido.
Todas as manhãs ergue a esperança, arranca-a do leito onde teima em ficar, já sem forças para continuar a ser a coragem daquele corpo fatigado, mas não esgotado, refere num ímpeto de teimosa insistência. Porque os seus passos ainda insistem em caminhar na sombra dos dias que passam sem deixar rasto, em busca de outros passos também cansados de andar sozinhos e que queiram fazer companhia aos seus.
Vejo-o afastar-se devagar, porque, embora o coração tenha pressa, a vida não tem pressa de chegar, quer apenas continuar a ser vivida.
Pergunto-me se conseguiria esperar assim, uma vida inteira e, concluo que “depende mais do mar do que da maré”. De encontrar em cada dia uma razão para acreditar. “Dá-me um sonho e eu continuarei a sonhar” e a caminhar ainda que apenas, na sombra dos dias.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Post.it

Pequenos recados,
Não são lições a reter.
Mas que deixo colados,
Para não me perder.

Nada tenho a ensinar,
Mas o pouco que sei.
Para sempre o praticar,
Em lembretes transformei.

Porque a memória,
Já brinca e engana.
Desenhando a história,
Em sonhos de cama.

Alguns são especiais,
Pinturas quase rupestres.
Palavras que de tão banais,
Não igualam as dos mestres.

Pensamentos em viagem,
Por caminhos de emoção.
Quando na sua linguagem,
Fala timidamente o coração.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Romances literários

Romances onde a palavra voa,
E mesmo que não seja boa.
A escrita sempre permanece,
Quando na estante adormece.

Ela liberta-nos deste lugar,
Eleva-nos, faz-nos sonhar.
Com uma outra realidade,
Cheia de paz e felicidade.

Oferece-nos bons amigos,
Que nos afastam dos perigos.
Sentimo-los como quase irmãos,
Tocamo-los no estender das mãos.

Confiamos-lhes as mágoas,
Afogamo-las nas suas águas.
Conhecemos as suas histórias,
E festejamos as suas vitórias.

Desejamos-lhes um final feliz,
O que cada um para si quis.
E na hora da despedida,
Fica a saudade entristecida.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Post.it: A vida que te dei

Porque te dei a vida? Dizes-me isso como se tivesse sido, um acto de egoísmo da minha parte. De quem quer realizar através dum filho os seus sonhos impossíveis. Mas a verdade é que quando pensei em conceber-te, tive apenas como objectivo o desejo de te amar e fazer feliz. Claro que no meu ideal, tudo era possível de te oferecer e de te proteger. Mas fui descobrindo que podia tentar, mas nem sempre, concretizar os meus objectivos e os teus desejos. Em alguns momentos, sinto que fracassei, mas noutros, quando leio uma luz de felicidade no teu olhar, sei que consegui cumprir o meu papel de mãe.
Sobretudo sei que tudo o que fiz foi com o coração cheio de amor e de esperança, sentindo que estava a realizar o melhor para a tua vida. Porque é disso que se trata, a tua vida, a que te ofereci. Pois fui concluindo com alguma angústia, que posso caminhar a teu lado mas não a posso viver por ti.
Porque nunca te prometi que só terias alegrias. Mas tentei ensinar-te a superar as tristezas.
Não te prometi riquezas materiais. Mas tentei que desenvolvesses potenciais para as alcançares.
Não te prometi que viverias num mundo perfeito. Mas tentei que aprendesses a lutar pelos teus sonhos e direitos.
Não te prometi que o egoísmo de algumas pessoas não te magoaria. Mas tentei incutir-te valores para os perdoares nas suas faltas.
Não te prometi imunização contra os obstáculos do caminho. Mas tentei que adquirisses capacidades para os ultrapassares.
Não te prometi que todas as amizades seriam leais e companheiras. Mas tentei que aprendesses a valorizar os verdadeiros amigos e a ser compreensiva com os que o não são.
Não te prometi que serias sempre saudável. Mas tentei ensinar-te a paciência para lidares com os teus males.
Não te prometi que só irias desenvolver pensamentos felizes. Mas tentei fortalecer-te para os aprenderes a direccionar nesse sentido.
Não te prometi que tudo na tua vida iria correr bem. Mas tentei intensificar o teu carácter para que inteligentemente construísses novos objectivos.
Não te prometi que todos te amariam. Apenas disse que te amaria incondicionalmente e para sempre.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Post.it: O que nunca te direi...


Todas as palavras serão sempre demasiadas, quando não temos quem as possa ouvir. Todas as palavras serão apenas ocas, quando não encontramos quem as possa sentir.
Porque as palavras são mais do que letras ou sons. Têm vida, sentimentos, lágrimas, mágoas, lamentos. As palavras têm asas, aproximam ou afastam consoante os ventos da receptividade. Já não sei que palavras use, depois de todas as que já empreguei, num vazio de palavras submergi, porque nem que gaste todas as palavras do português e desempoeire as do meu latim, poderei conquistar o caminho certo para a tua alma para nela repousar o meu querer.
Retidas numa fronteira de sentimentos adversos, murcham as palavras, perdendo o sentido, esquecendo a direcção. Enquanto perecem sem florescerem no encontro de outras similares, de há muito demoradas.
Novas palavras vão surgindo, sem o ímpeto das que outrora. Porque os sentidos ainda aportados, não conseguem levantar a âncora e navegar por novos mares. Quanto às velhas palavras, guardá-las-ei nas entrelinhas, agora que já não as escrevo e serão para sempre as palavras que nunca te direi…

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Post.it: O nosso mundo


Vivemos todos no mesmo mundo, ou talvez não. Há quem viva em mundos de fantasia porque não consegue encarar a realidade. Há quem viva no passado porque não tem coragem de conquistar o futuro. Há quem viva agarrado a impossíveis com receio que os possíveis sejam piores. Há quem viva almejando o amanhã porque não consegue apreciar o hoje. Há quem viva convencido que é o melhor porque tem receio de enfrentar a concorrência. Há quem viva num mundo de revoltas, de batalhas que nunca ganha porque não aceita que ceder também é uma forma de vencer. Há quem se considere único porque não sabe como conviver com os outros.
Vivemos todos no mesmo planeta, mas decididamente em mundos diferentes. Mundos que criamos à nossa medida, para corresponder a modelos, ideais, expectativas. Mundos que muitas vezes se revelam bolas de sabão, castelos de areia, frágeis e perecíveis.
Quando um dia nos encontrarmos no mesmo mundo, talvez consigamos ver os outros e possamos aprender juntos a criar um mundo real, talvez não seja o melhor dos mundos. Mas é certamente aquele onde podemos construir a nossa felicidade.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Esperei por ti


Esperei por ti,
Em cada Primavera,
Que murchou de solidão.
Em cada Verão,
Que não me aqueceu o coração.
Em cada Outono,
Que no silêncio caiu.
Em cada inverno,
Que só o vento se ouviu.

Esperei por ti,
Com a chuva no olhar,
E uma tão vaga esperança,
Que te fez em mim ficar,
Terna e definitiva lembrança.
Essa gota que fechei na mão,
Triste desencontro da felicidade.
Não a quero reter no coração,
Deixo que voe com a saudade.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Post.it: Oração à vida

Vida dá-me a coragem: 
- De viver 365 dias, sem concretizar os meus sonhos. Mas despertar em todos esses dias com vontade de te acolher no meu abraço.
- De para encontrar no vazio, a plenitude de viver grata por ter em ti nascido.
- De encontrar um lado positivo em tudo o que me parece negativo e me desmotiva a seguir     em frente.
- De sentir cada obstáculo como um desafio. Cada pedra como um degrau que me leva ao topo.
- De converter cada lágrima num amplo e sincero sorriso.
- De encontrar na solidão o prazer do reencontro com a minha companhia.
- De vencer os meus receios, as minhas dores e de as transformar em amor.
- De conseguir direccionar sempre os meus pensamentos, os meus sentimentos para um rio de límpidas e tranquilas águas. 
- De acrescentar vida aos meus dias e não me contentar em acrescentar dias à vida.
E quando já nada restar, que encontre nesse nada, a sensação plena de tudo.
E saiba por fim agradecer, cada um desses 365 dias transformados em anos, cada instante desse tempo que me faz renascer e ser um pouco de ti…

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Post.it: Carta para a mãe

“Porque não vieste hoje aconchegar-me os cobertores, nem dar-me um beijo de boa noite?
Onde estás? Já percorri a casa e não te encontrei. O pai permanece em silêncio olhando para o televisor apagado. A mana fechou-se no seu quarto e não me abre a porta. Alguém murmurou em tom de reconforto, que estás no hospital, quero saber mais, mas ninguém me responde. Talvez tenham medo que eu chore. Mas eu choro de qualquer forma, porque tu não estás. Porque me sinto perdido sem ti. Não sei caminhar sem a tua presença a meu lado. Tenho saudades tuas e ainda ontem te vi, mas o hoje parece-me tão já tão longe desse momento, tão imenso no tempo e no espaço. Sempre me chamaram, menino mimado, porque quando te afastavas, chamava logo por ti. Gozavam comigo, mas não me importava, porque tu também não lhes ligavas. A cada expressão de zombaria, apertavas-me mais no teu abraço e fazias-me sentir mais forte. Por vezes diziam-te que tinhas de me “cortar o cordão umbilical”. Olhava-te assustado, com receio que seguisses esse conselho, quando eu ainda me sinto no teu ventre. Preciso dele, porque é   o meu porto de abrigo, que me protege das tempestades do mundo que por vezes me é tão agreste. Mas tu perante esses conselhos, sorrias, era a tua forma de lhes dizeres, que não percebem nada de amor maternal. Dessa magia que só sente quem colocou nos genes todo o seu afecto, que criou na gestação mais do que um ser, mas uma ponte, um laço indestrutível, que não sucumbe ao tempo nem à vida. Sinto-me só, tão só, como se tivessem arrancado do meu ser a alma que tu eras em mim. Escrevo-te esta carta, porque já não sei que mais fazer para chegar a ti, para te dizer tudo o que sinto, para te pedir que não demores ao lar que tens no meu peito.”

“O nosso filho entregou-me uma carta, disse para a entregar à mãe. Olho o envelope, e depois o seu rosto, vejo-o triste, quero abraçá-lo mas ele foge de mim como se fossem só para ti os seus carinhos. Não sei o que lhe dizer, digo-lhe que te entrego a carta. Guardo-a na gaveta da cómoda do nosso quarto. Quem sabe um anjo a vem buscar e a leva até ao céu onde tu certamente estás, olhando para nós, como sempre a sorrir e, lendo a carta que o nosso filho te escreveu.”

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Post.it: Sem retoques

Numa daquelas conversas de café que cultivo como uma tradição, lançaram-me uma pergunta, talvez pouco ética, mas a verdadeira amizade permite certas liberdades sem ficar beliscada. “Qual é o teu estilo?" Perguntaram-me com olhar pouco aprovador. Tesouras afiadas prontas a esquartejar o que resta do meu look. Devo confessar que saí de casa a voar para não chegar atrasada, coisa que valorizo mais do que a conjugação de cores, padrões e peças de roupa. O espelho, bom amigo, manteve o seu silêncio que entendi como aprovação e fechei a porta convencida que estava cheia de style.
- Bom, o meu estilo? Tento responder meio hesitante, enquanto tropeço nas palavras, como se fosse ainda uma aprendiza da língua pátria. Por fim, balbucio algo perceptível. 
- Nunca me debrucei sobre o assunto, mas suponho que o meu estilo seja a inexistência de estilo. Gosto do que é malfeito, de coisas desajeitadas, que caem e pendem por todos os lados num perfeito desalinho, meio hippie, meio cigana.
Observo-me, sem entender a questão, reparo que uso a roupa uns quantos números acima, porque gosto de me sentir confortável. Além disso, não me importa o visual, é apenas um embrulho, mesmo que mal-amanhado. O meu look, é sobretudo um desafio, não para todos, mas apenas para alguns, aqueles que indiferentes à mera aparência, se acerquem e tenham alguma curiosidade em desvendar o conteúdo. No entanto, poucos têm coragem de passar a fronteira do olhar, erguem muros de preconceito, tornam-me invisível. Não sei se hei-de chorar ou se rir dos julgamentos que a mente faz, estigmatizando sem apelo nem agravo, alguém que tem por culpa a determinação de ser verdadeiro, sem retoques de vaidade. 

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

A carta do destino

Haverá sempre um rio, uma ponte,
Haverá sempre um céu como horizonte.
Haverá sempre um mar ondulante,
E uma vaga com o teu nome viajante.

Haverá sempre uma nova primavera
A nascer mesmo, depois de nós.
No jardim duma longínqua quimera,
Que nos deixa cada vez mais sós.

Haverá sempre uma andorinha
Que não sabe se torna a vir.
Haverá sempre uma estrelinha
Na noite escura a tentar sorrir.

Haverá sempre uma nuvem que chora,
Cúmplice da minha perpétua solidão.
Haverá sempre um silêncio que implora,
Sentir o abraço do mais terno coração.

Haverá sempre um frio amanhecer
Que se adia em cada novo despertar.
Haverá sempre escuridão do anoitecer
Reflectindo-se na sombra do meu olhar.

Haverá sempre um novo caminho
Que o tempo nunca consegue deter.
Por muito que lhe chamem destino,
Chamo-lhe carta que estou a escrever.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Post.it: Quantas margens tem o rio?

Quantas margens tem o rio da vida? Suporia que tem duas, a tua e a minha. Mas tem outras, muitas outras, feitas de memórias transformadas em saudades. De desejos fracassados. De sonhos construídos nos braços da noite e despertados na solidão da madrugada.
Quantas margens tem o rio da vida, esse rio feito de lágrimas caladas, e outras, tantas gritadas, mas que acabam sem desenlace, ou tão-somente, enredadas, prisioneiras dum coração que quer, sem saber como, viver a felicidade que acredita é sua e,  está ali. Naquele lugar, naquele olhar, na perdição de uma paixão, ou na salvação duma conciliação. Reconciliação, talvez…
E, então, desenhas margens, soluçantes.
Esboças um futuro que não é feito de nós. Delineias um encontro continuamente desencontrado. Planeias recomeços que não saem do tracejar do pensamento. Gizas um sonho, onde não surjo.
Não podemos deixar de ser quem somos, só porque não conseguimos voar. Não podemos deixar de sentir o que sentimos só porque esse sentir não completa a nossa sorte.
Então extingo as palavras, emudeço a escrita. Tapo os ouvidos para não ouvir o que me dizes dentro do peito. Fecho os olhos, não quero mais, enredar-me no fascínio do que és, quando me brincas na fantasia, quando me envolves de quimeras.
Porque, por muito que o tentemos, seremos sempre silêncios perdidos entre as margens de um mesmo rio, onde tu danças, brisa, sopro de vida, meu derradeiro alento.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Post.it: As datas são ciclos de vida

O dia de hoje fecha um ciclo de festividades, para uns com relativa tristeza, para outros com indiferença. Uma indiferença que lhes é habitual e que nos leva a esta pequena observação.
Que importância tem o que cada um faz com os dias, são deles. Usem-nos bem ou mal, é um direito seu. 
Que importância tem o que cada um faz com as datas mais importantes para o seu ciclo de vida. Se forem  relevantes ou não para si.
Que aufiram dos feriados, reconhecendo-lhe apenas o beneficio do descanso ou a quebra da rotina que estes permitem. Esquecendo que ele conta uma história feita de lutas e de sangue para conquistar aquilo que hoje somos.
Aos aniversários, que podem constituir uma verdadeira chatice, o ter de lembrar quem apetece esquecer, desvalorizando a importância que cada um tem para a construção da nossa sociedade.
Ao Natal, cheio de teorias, de frases clichés. Natalices que para alguns parece rimar com pedinchices,  lamechices, em suma chatices. Porque lá temos de gastar o nosso parco pecúlio em prendas que ninguém precisa ou nem sequer aprecia.
E lá vão ter que assassinar a dieta, trucidar o colesterol, esquartejar a diabetes. Tudo em nome de uma causa, mais que não seja para não ficarem desenquadrados do espírito de comunhão.
Não me atinge que existam tais sentimentos. Que coexistam tais indiferenças. Só me incomoda o facto de não entenderem que nem tudo é pura fabricação, adaptada a cada comemoração. Que não tem que ser entendido como um mero aproveitamento comercial que nos vicia no desenfreado consumismo. 
Se não convivem bem com tudo isto, em vez de se limitarem a ser a oposição crítica, sejam a diferença, a solução. Revelem novas possibilidades de um Natal, aniversário, feriado, etc., mais baseado em valores espirituais e menos materiais. Mas sobretudo entendam que há pessoas que os vivem e sentem no âmago do seu ser. Que os oferecem aos outros, não só em determinadas datas, mas em todos os momentos, que se disponibilizam a estar presentes, de corpo e alma. Porque há pessoas assim. E confesso, com genuína alegria, conheço algumas e acredito que existam muitas mais.
Porque é delas que a humanidade é feita, quando tudo parece perdido, são sempre as primeiras a chegar e as últimas a partir.
São estrelas que nos guiam pelo túnel escuro em que por vezes nos sentimos mergulhados sem encontrar uma saída.
Gostaria que todos os que desconstroem argumentativamente todas as comemorações tenham a capacidade de construir, com ideais positivos, um novo e melhor mundo que a humanidade possa celebrar todos os dias e não em só em determinadas datas.